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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Dunkirk (2017): da praia para a mestria de Nolan

Sinopse: em plena Segunda Guerra Mundial, as tropas alemães cercaram ingleses e franceses junto à praia de Dunquerque. Eram 400.000 os homens que esperavam ajuda para regressar à pátria através de mar, o único caminho a seguir. Quando a Marinha parecia não ter capacidade para ajudar, foram os barcos civis que conseguiram com que os rapazes voltassem a casa. 

 

 

Lembram-se quando vos disse, no dia em que Dunkirk estreou, que queria ver como é que Christopher Nolan ia conseguir dar a volta a uma história que não controlava? Conhecido por criar os seus próprios enredos e histórias, com lapsos temporais e linhas narrativas paralelas, tinha interesse em descobrir como é que o senhor conseguiria manter a veracidade histórica, e ser fiel ao seu estilo. Não podia ter sido melhor surpreendida. 

 

Apesar de Dunkirk ser baseado numa história verídica, este é um dos filmes mais Nolan possível que tivemos nos últimos tempos. Para muitos é a sua obra-prima, e é fácil perceber porquê: é que conseguiu tornar na batalha de Dunquerque um momento épico, homenagear quem lá estava, sem retirar humanismo e o seu cunho pessoal. 

 

Que é como quem diz, fez um filme do caraças!

 

 

O argumento, como sempre, está em perfeita sintonia com a realização, e com o tipo certo de tensão. Nesse campo, o da escrita, Nolan conseguiu superar-se ao criar um enredo temporalmente complexo, mas que nos leva por momentos determinantes para o desenrolar da história. O argumento está de tal forma bem construído que os momentos de tensão são constantes, do início ao fim, e depois algum tempo ficamos com a sensação de que não conseguimos prever nada do que vai acontecer - as surpresas estão sempre ao virar da esquina. 

 

Isto sem precisar de grande dialogo. Uma das melhores coisas de Dunkirk é que, apesar de ter um elenco de luxo (Cillian Murphy, Tom Hardy, Kenneth Branagh, Mark Rylance…), nenhuma personagem é mais importante do que a outra, nenhuma é mais heróica do que a outra. Por norma, nestes filmes de guerra (ou em qualquer outro que queria enaltecer um grande feito), há sempre um herói que se destaque; uma ou outra personagem/ator que parece prender todas as atenções.

 

Em Dunkirk, nada disso acontece, o que faz deste filme um relato de guerra como poucos, mas mais eficiente. Os heróis não são individuais: são um conjunto, uma equipa, um grupo de homens e mulheres que contribui de alguma forma para o bem de todos os outros. E ficam ao mesmo novel os oficiais que querem salvar os seus homens, os civis que se juntam à guerra, os militares que fazem o que podem para ajudar aqueles que precisam, e até os soldados rasos cuja única preocupação é sobreviver e voltar a casa. 

 

Nesse sentido, Dunkirk é mais do que um filme de guerra: é um enaltecimento à vitória humana, e à sua capacidade de sobrevivência. 

 

  

O que Nolan conseguiu fazer com o seu enredo, enalteceu ainda mais ao juntar tudo isso visualmente. A forma como está filmado, os grandes planos que mostram a tristeza e a morte, os close-ups que nos fazem perceber o desespero das tropas, a fantástica simbiose entre o movimento e a banda-sonora (um trabalho magnífico de Hans Zimmer), elevam Dunkirk ao estatuto de épico. 

 

Em retrospetiva, Dunkirk é um filme com pouco dialogo e ação q.b. (mesmo sendo de guerra). É de estranhar que tenha passado tão depressa, mas a verdade é que não houve um momento em que não tivesse totalmente agarrada à cadeira, a querer saber o que ia acontecer a seguir. Ao ouvir as notas de Zimmer a crescer, cresce a tensão, cresce o bater do nosso coração, e cresce a certeza de que um maestro como Nolan sabe bem conjugar todas as notas. 

 

Saí da sala de cinema sem palavras. Como sempre, tentei falar sobre o que tinha visto, discutir porque era tão bom (ou tão mau, como já aconteceu), mas nada de saía. Eu tentava, e só conseguia dizer ‘bolas, que genial.’

 

Eu sei que sou suspeita, e que o trabalho de Christopher Nolan surpreende-me sempre que o vejo. Mas acho mesmo que ele se superou com Dunkirk. Já nem falo sobre as suas escolhas técnicas, que nos ajudam a ficar ainda mais dentro e no centro do filme (quem tiver a oportunidade, vá assistir em IMAX) - porque esse é o seu objetivo: que o espectador seja parte integrante da ação, que se sinta no centro de tudo. 

 

E senti. Ainda sinto, sempre que penso naquilo. 

 

Bolas, que genial. 

 

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EM DVD: Vida Inteligente (2017)

Ainda há quem compre DVD. Até há quem os compre sem ter visto primeiro o filme no cinema – para mim, quem o faz é corajoso mil, por tomar um risco desses.

 

É para esses (nos quais me incluo, ás vezes), que existe esta rubrica. São as críticas aos filmes que não cheguei a ver quando foram lançados no cinema, mas aos quais dou uma oportunidade quando saem em DVD.

 

É o caso de Vida Inteligente, que esta semana já podem encontrar nas lojas.

 

Valerá a pena?

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Sinopse: Uma equipa de cientistas permance a bordo da Estação Espacial Internacional, à espera da chegada de uma sonda vinda de Marte. A sonda pode trazer consigo a prova de que existe vida alienígena, e é com surpresa que encontram aquilo que parece ser uma célula viva entre o solo. Mas esta célula aparentemente inofensiva pode ter sido a causadora da extinção de vida em Marte.

 

 

A sinopse parece interessante, não é? Para quem gosta de ficção científica, e aguarda com expectativa o momento em que se provará que os aliens existem, tem tudo para dar certo. É demasiado bom para ser verdade...

 

Enquanto uma fã q.b. de filmes de ficção científica, este chamou-me a atenção pela tensão e expectativa que o trailer mostra. A perspetiva de sobrevivência e exploração espacial, que tem tudo para correr bem mas corre sempre mal, é uma aposta garantida... quando bem feita.

 

Não é que Vida Inteligente não esteja bem-feito. Para a história que tem, é competente e bom de se ver.  Apesar de a ação passar a um ritmo acelerado, é perfeito para o tipo de história, e acabamos por sentir tensão nos momentos certos, e alguma supresa naqueles em que tudo parecia estar perdido. Nesse aspeto, o papel de Daniel Espinosa no papel de realizador parece ter sido bem desempenhado.

 

Da mesma forma, não podemos dizer que é um argumento desiquilibrado, ou que não nos parece bem. Também não há nada que nos diga que os atores não desempenham bem os seus papéis, ou que tecnicamente não é um filme interessante.

 

 

Mas acho que esse é o problema: é tudo apenas competente. E tudo apenas bom, nunca extraordinário. E o pior, é que parece que não havia potencial para ser muito melhor.

 

Porque sem uma história interessante, tudo fica desinteressante.

 

Vida Inteligente perdeu todo o potencial quando, em vez de nos mostrar algo novo ou diferente, pegou em fórmulas já vistas e combinou-as de uma maneira que não é assim tão boa. Passamos o filme todo a pensar ‘Hey, eu já vi isto em qualquer lado’, e por muito competentes que todos sejam a fazer o seu trabalho, essa sensação nunca nos larga.

 

Todos sabemos que ninguém está a tentar inventar a roda, ou que é difícil encontrar novas fórmulas quando tudo o resto já foi inventado. Mesmo assim, também ninguém quer ter uma sensação de deja-vu extrema ao longo de uma hora e 40 minutos.

 

Só que mesmo tendo isso em mente, não consigo libertar-me do facto de que esta premissa tinha tudo para ser explorada de uma forma diferente daquela que já vimos noutros filmes – e nem são filmes indies ou pouco conhecidos: são blockbusters tornados clássicos e vencedores de prémios.

 

Há momentos em que não me consigo contentar com um filme apenas competente; quero mais. Eu queria mais deste Vida Inteligente, e sobretudo, queria mais coisas que ainda não tinha visto.

 

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ZOOM-IN: O realizador mudou. E agora?

Sempre que são anunciados novos filmes, agumas questões são colocadas: quem será o protagonista? Quem irá escrever o argumento? Quem irá realizar o filme?

 

A escolha de perguntas não é aleatória – nem o é o facto de darmos mais importância ao prémio de Melhor Realizador, do que de Melhor Guarda-Roupa. Apesar do gaurda-roupa ser extremamente importante para que uma cena faça sentido, o realizador tem um papel prepodenderante em todo o ambiente do filme.

 

Ele está presente (ou devia estar) em todas as fases do filme, e é dele que chegam as indicações de que esta cena tem de ser assim, e aquela de outra forma. No fundo, ele é um gestor de projeto que tem uma visão artística muito aguçada.

 

Então, o que acontece quando este papel tão importante é mudado durante a produção de um filme?

 

A pergunta não é de agora, mas tem ganho mais relevância depois de descobrirmos que Phil Lord e Christopher Miller foram afastados da produção do filme sobre Han Solo, e substituídos por Ron Howard. O que será que vai acontecer agora?

 

A dupla de realizadores realizou Agentes Secundários e a sua sequela, e Lego Movie. 

 

Vamos por partes.

 

O papel do realizador

 

Como disse antes, o realizador é um dos responsáveis pela visão artística de um filme. No fundo, o que ele faz é visualizar o argumento, e escolher de que forma é que cada cena será filmada, e a intensidade que tem de ser dada, ou retirada, de cada momento.

 

Durante as fases de pré-produção, produção, e pós-produção de um filme, é ele que vai coordenando as várias equipas para ter a certeza que o seu trabalho está de acordo com a sua visualização. Ele pega no trabalho de todos e junta para que faça sentido para a história, e para a sua visão.

 

É por isso que conseguimos identificar algumas características de cada realizador nos seus filmes. Por exemplo, se se recordam do artigo sobre Christopher Nolan, notaram que falámos sobre a forma como ele gosta de concentrar a ação na perspetiva das personagens, e não apenas filmá-las como parte do cenário.

 

Escolher um realizador em detrimento de outro pode ditar o ambiente do filme. Alguns (como aparentemente foi o caso de Lord e Miller) têm tendência para tornar muito mais cómico, outros preferem dar mais destaque aos cenários, outros às personagens, outros aos diálogos.

 

Quando os realizadores começam a ganhar destaque no mundo do cinema, é natural que fiquem conhecidos por um determinado tipo de estilo. A sua escolha para cada filme passa a ter em conta esse estilo, e os fãs conseguem quase sentir o rumo da história consoante quem é escolhido.

 

O que torna tudo muito mais difícil quando a escolha não foi a acertada.

 

Ele foi despedido. E agora?

 

As mudanças de realizador a meio de uma produção não são incomuns. Muito pelo contrário: se em alguns casos não há dúvida de que uma história pede um determinado estilo, noutros os conflitos com a produção (que têm sempre um papel a dizer) podem ditar o fim de uma relação. Até Spartacus, o clássico protagonizado por Kurt Douglas, sofreu uma dessas mudanças.

 

É natural que, quando muda o realizador, o rumo da produção também mude. Um novo realizador significa um novo estilo de levar avante a produção, um novo estilo de filmar e coordenar equipas. Um novo realizador pode também significar uma nova perspetiva sobre a história, e nunca sabemos quão diferente será.

 

Se é uma grande mudança ou não, isso pode depender da fase em que é feita a mudança. Por exemplo, quando Homem-Formiga ainda era apenas um projeto falado, Edgar Wright foi o realizador escolhido, e muitos fãs regozijaram com isso. Porém, ainda antes de começar a produção, Wright afastou-se do projeto e foi Peyton Reed a dirigir o filme de 2015.

 

Neste caso, como a produção ainda estava a começar, o filme não sofreu em nada – só nós, que nos questionamos como seria se Wright tivesse mesmo avançado.

 

Porém, existem situações em que o realizador muda quando já existem cenas filmadas e um argumento final. É aí, meus caros, que tudo pode correr mal.

 

O caso Han Solo

 

Foi o que aconteceu com o filme sobre a juventude de Han Solo. No início do mês, os realizadores Phil Lord e Christopher Miller decidiram afastar-se do filme devido a diferenças criativas com os produtores. Os produtores, se bem que mais conhecidos por serem quem tem o dinheiro, podem acabar com um filme se acham que não está a ir ao encontro do que esperam. Neste caso, estavam com receio que a dupla estivesse a tornar o filme demasiado humorístico.

 

Esta decisão foi tomada quatro meses depois da produção ter começado, com argumento escrito, elenco reunido e até algumas cenas filmadas.

 

Pouco tempo depois, Ron Howard foi anunciado como novo realizador do spin-off de Guerra das Estrelas. Mas... como assim, Ron Howard? Estamos a falar do Ron Howard O Diário de DaVinci, Apollo 13, e No Coração do Mar? No Ron Howard que quase não faz um filme sem Tom Hanks?

Ron Howard foi um conhecido ator antes de se dedicar à realização.

 

Sim, esse Ron Howard, o que lançou algumas questões. Ao contrário da dupla Lord/Miller, Ron Howard tem um estilo muito pouco movimentado e dinâmico. De facto, Howard é conhecido por ter um estilo mais simples, e talvez menos excitante, o que assustou alguns fãs.

 

Pessoalmente, não acho que vá tornar o filme muito melhor, ou pior. Howard tem um longo e duro trabalho pela frente: terá de pegar naquilo que já existe, e utilizá-lo sem perder o rumo que acha correto para a história. O facto de este ser um filme no qual todos temos grandes expectativas pode dificultar a tarefa, mas o seu envolvimento com o universo de Guerra das Estrelas pode ser mais benéfico do que aquilo que julgamos.

 

Woody Harrelson, que vai interpretar o mentor de Solo, já veio afirmar que não há motivos para preocupação. Eu vou acreditar nele, porque é impossível não acreditar num homem que já fez de assassino louco em Natural Born Killers.

 

No fundo, é esperar para ver. Apesar dos exemplos anteriores não abonarem a seu favor, eu quero acreditar que Howard será uma boa adição ao filme. Em 2018 cá estaremos para recebê~lo.

Christopher Nolan, um mestre com classe

Christopher Nolan dispensa apresentações. É um dos nomes mais reconhecidos e respeitados no contexto cinematográfico atual, e tem ganho uma legião de fãs imensa ao longo dos anos. Mais do que ganhador de prémios, é reconhecido pelo público e pela crítica como um dos maiores autores dos tempo modernos.

 

Nao é então de estranhar que cada filme seu seja recebido com uma grande expectativa. Depois de viagens e viagens por assuntos e géneros diferentes, a cada filme conseguimos ser surpreendidos por Nolan. Dunkirk, o seu mais recente filme que estreia hoje nas salas, marca a sua estreia nos filmes baseados em factos reais, depois de 10 longas-metragens que foram da ficção científica, ao drama, mistério e até ao mundo dos super-heróis.

 

Eu confesso que tenho um fraquinho pelo senhor. A forma como pega nas histórias, e o tipo de enredos que cria, são daqueles que me deixam totalmente presa à ação, e gosto disso. Sinto-me dentro do filme, e tudo me faz sentido.

 

 Uma das cenas de Memento (2000), um dos filmes mais elogiados de Nolan.

 

Esse é mesmo o melhor do seu trabalho: de uma forma muito própria e sua, Nolan tem sempre atenção a cada detalhe. O facto de ser sempre um dos argumentistas dos filmes que realiza só lhe permite essa delicadeza e forma de ver a história que dificilmente aconteceria se assim não fosse. Ele sabe como filmar, o que filmar e quem filmar.

 

É por isso que conseguimos encontrar sempre algumas características base nos seus argumentos, alguns traços que nos fazem reconhecer um filme como uma obra de Nolan. A construção da história, por exemplo, não é temporalmente linear, e antes vai buscar informação ao passado e ao presente de acordo com aquilo que precisamos para reconhecer o que é importante. Depois, as suas personagens são o centro das atenções, e é a sua perspetiva que nos prende. Somos conduzidos a uma conclusão ou sentimento da forma que aquela personagem queria, e ficamos totalmente imersivos na sua arte.

 

Esta relação perfeita entre o papel e o visual é o que me faz gostar tanto dos filmes de Nolan. Consigo descortinar que não há outra forma de encadear acontecimentos, e que a construção da ação segue o único caminho possível.

 

Até me podem dizer ‘Ahh e tal, mas há tantos bons realizadores, e melhores do que ele.’ Sim, é verdade; Christopher Nolan não é a última Coca-Cola do deserto, e o que não faltam são talentosos realizadores e autores que nos transmitem tanta segurança quanto ele, ou mais ainda. E o melhor é que, muito além dos veteranos, novos talentos têm surgido que nos fazem pensar assim.

 

 

Porém, Nolan fala comigo de uma forma diferente. A verdade é que ele foi a mente por detrás de A Origem, um dos filmes que mais me conseguiu fazer ficar colada à cadeira dos últimos anos. Do tema à forma como está montado, é uma montanha-russa de emoções à qual não consigo ficar indiferente. É um dos meus filmes de eleição, e daqueles que revejo sempre com uma pontada de “será que desta vez vai ser diferente”?

 

Tendo em conta que Dunkirk junta duas coisas de que gosto imenso (Christopher Nolan e histórias sobre a Segunda Guerra Mundial), as minhas expectativas estão mais do que elevadas. Sobretudo depois de ler por alto a opinião de alguns críticos, que já o põe como um dos melhores filmes do realizador.

 

Vai ser interessant perceber como é que os traços de Nolan são adaptados a uma história que não foi construída por si, mas que tem de seguir uma certa cronologia histórica. Ao contrário dos seus filmes anteriores (que, mesmo tendo como base teorias ou histórias de outros, sempre teve liberdade para criar um encadeamento de acontecimentos seu), desta vez é obrigado pela História a seguir um determinado caminho.

 

Quero muito vê-lo a descalçar esta bota.

 

 

Encontros Imediatos de 3º Grau volta os cinemas, e todos deviamos ir ver

Começo por um mea culpa: o título é ligeiramente enganador. Apesar de verdadeiro (o filme de Steven Spielberg vai mesmo regressar aos cinemas, e devíamos mesmo poder ir todos ver), infelizmente não nos será possível concretizá-lo. Tudo porque, a partir de 1 de setembro, Encontros Imediatos de Terceiro Grau vai regressar às salas de cinema... nos Estados Unidos e Canadá.

 

 

 

O anúncio foi feito pela Sony, depois de ter revelado um misterioso vídeo no Dia Mundial dos OVNIs. O vídeo mostrava um radar aéreo, em que era descrito o avistamento de um objeto voador estranho. Muitos achavam que seria um anúncio precoce de uma nova versão da obra de Spielberg, mas os estúdios depressa confirmaram que se tratava apenas da comemoração do aniversário do seu lançamento.

 

É que a 16 novembro de 2017 fazem precisamente 40 anos que Encontros Imediatos de Terceiro Grau chegou aos cinemas. A história escrita e dirigida por Steven Spielberg (que anos antes tinha alcançado o sucesso com Tubarão) rapidamente chegou ao sucesso, conseguindo 300 mlhões de dólares em bilheteiras de todo o mundo, e oito nomeações para os Óscares da Academia – apenas venceu um, de Melhor Cinematografia, e ainda nos espantamos como deixou para trás o de Melhor Banda Sonora Original.

 

Ainda antes do ET querer ligar para casa,  já as cinco notas de Encontros Imediatos nos faziam sonhar com a ficção científica. Bem, a mim não, que nasci décadas depois, mas sim a todos aqueles que tiveram o prazer de testemunhar em primeira mão a sua estreia.

 

Falar de OVNIs não era assim tão comum na Hollywood dos anos 70. Sim, A Guerra das Estrelas tinha saído meses antes, e outros filmes e séries falavam de seres de outros mundos e de vida inteligente no Universo. No século XIX, já H.G.Wells tinha criado uma história em que extraterrestres invadem a Terra.

 

 

 

Porém, Encontros Imediatos tem um teor ligeiramente diferente: o filme traz os extraterrestres para a Terra, brinca com o culto dos OVNIs e a sua investigação, e mexe com a nossa imaginação e curiosidade.

 

Se não, pensemos em Roy, o protagonista interpretado por Richard Dreyfuss que passou por louco enquanto procurava uma nave espacial. A sua própria família teve medo, e todos julgavam ue estava louco, mas a sua persistêcia levaram-no numa aventura alucinante (suponho eu, porque não soubemos o que aconteceu depois de entrar na nave).

 

Nem nunca saberemos. Ao longo dos anos, Spielberg lançou duas versões alternativas do filme, mas em ambas manteve o final e destino de Roy. Em cada versão, o realizador tentou atenuar a decisão de Roy, tentando mostrar como é que era possível que um homem com as suas responsabilidades pudesse abandonar a família sem olhar para trás. Hoje, diz que possivelmente teria escrito a história de forma diferente, mas uma coisa é certa: a curiosidade de Roy, e a possibilidade de abandonar o conforto e responsabilidades pelo desconhecido, somos todos nós.

 

 

Talvez seja por isso que Encontros Imediatos de Terceiro Grau seja tão acarinhado por tanta gente. A verdade é que, no meio dos problemas e frustrações, saber que alguém amigável estava disposto a acolher-nos num novo mundo parece uma solução querida.

 

Para mim, sempre foi a música a resposta. Lembro-me que assisti ao filme pela primeira vez com um misto de curiosidade e incredulidade, talvez por achar que não ia gostar; o filme era quase 20 anos mais velho do que eu, e ao início não parecia nada de especial.

 

Era uma jovem pouco impressionável. Porém, com o passar do tempo, e do filme, a minha opinião foi mudando. Fui percebendo a curiosidade de cada personagem, e a compreender como é que podiam estar tão apegados aqueles extraterrestres que não conheciam. No final, descobrir que comunicavam através da música foi magia.

 

5 simples notas, deliciosas e delicadas, traziam em si todas as respostas. A delicadeza e paz daquela forma de comunicação trouxeram ainda mais curiosidade, mais amor, mais vontade de descobrir o que estava por detrás das luzes e de toda aquela comoção.

 

 

 

De uma forma filosófica, Encontros Imediatos é quase uma maneira de nos mostrar como a comunicação pode vir de qualquer linguagem ou meio; a nossa curiosidade de compreensão das intenções de outros podem vir de algo tão simples como cinco notas musicais. E aquilo que sentimos pode ser transmitido sem emitirmos qualquer palavra.

 

Como alguém que sempre acreditou no poder da palavra escrita e falada (e ainda acredito), é como dar a mão à palmatória. Há ocasiões da nossa vida em que a palavra não é assim tão importante, mas sim o que sentimos quando comunicamos, e o que recebemos de quem comunica.

 

E porque todos gostamos de falar sem pensar nas suas consequências, e damos demasiada importância ao que é dito, às vezes deviamos parar, assistir a Encontros Imediatos de Terceiro Grau e refletir em como o importante é o que sentimos. Devemos exprimir o que temos em nós como o entendermos, e relativizar o que transmitimos.

 

É paz, senhores. É paz.

Homem-Aranha: Regresso a casa (2017) – dos bons regressos

Sinopse: Depois de ajudar Tony Stark (Robert Downey Jr.) a impressionar os seus colegas Vingadores em Guerra Civil, Peter Parker (Tom Holland) tenta equilibrar a sua vida de estudante, com a de justiceiro mascarado. Mas Parker continua a ser apenas o miúdo do secundário que ajuda o povo de Nova Iorque. Numa demanda por missões mais importante e perigosas, vê-se no meio de uma rede de tráfico de armas perigosas, e num dos momentos mais perigosos da sua vida.

 

 

Antes de mais, é importante frisar uma coisa: apesar de este ser um reboot de uma das histórias mais acarinhadas pelo público fã de super-heróis, é também um reboot com um objetivo claro. É natural que, agora que a Marvel quer juntar todas as suas personagens num só filme, dê também algum background e controlo sobre quem é o Homem-Aranha depois de tantos outros terem tentado antes.

 

No fundo, Regresso a Casa é uma forma de introduzir o aranhiço ao Universo Marvel, e de mostrar o que faz dele um dos mais adorados de sempre.

 

Por isso, não vamos esperar um filme fantástico sobre Homem- Aranha. Ou melhor, não vamos achar que é um filme individual, sem qualquer ligação aos Vingadores – porque esse nunca foi o seu objetivo.

 

Dito isto, dá para perceber porque é que existem tantas referências a este universo, e porque é que as suas personagens estão tão presentes (sobretudo a de Stark); sem elas, este filme deixa de fazer tanto sentido.

 

 

Até porque é uma continuação direta dos acontecimentos que Peter viveu durante o filme Capitão América: Guerra Civil. Na primeira pessoa, Peter dá-nos a conhecer um pouco dos bastidores daquela entrada fantástica, e o que sentiu com tudo aquilo. A forma como é contado é uma das mais engraçadas e deliciosas soluções que vi num filme do género, pois não só é atual, como nos transporta para uma realidade que estará sempre presente ao longo do filme: este Peter Parker é um adolescente, e comporta-se como um adolescente.

 

Seguindo a tendência dos filmes anteriores, a idade de Peter descresceu e, com isso, chegaram uma série de desafios e dilemas que todos nós vivemos na adolescência. É engraçado ver como o argumento e a realização de Jon Watts conseguem catapultar-nos para essa ideia, seja através dos diálogos ou pela forma como as cenas são filmadas, mas até pela reação e comportamento de cada um dos personagens.

 

Assumindo-se como um filme de super-heróis para adultos em que o protagonista é um adolescente, é incrível o equilíbrio que existe entre humor, ação e aquela ingenuidade qb que tem de existir nestes casos. Não há um momento do filme que pareça não fazer sentido, e está mesmo muito engraçado, sem se transformar numa comédia.

 

 Algum adolescente sai de casa sem o smartphone?

 

É claro que o toque de Tom Holland é importante para que tal aconteça. O jovem veste na perfeição o papel de aranhiço, seja na sua faceta mais corajosa, como nos momentos mais patetas e atrevidos (pois não nos podemos esquecer que, acima de tudo, o Homem-Aranha sempre gostou de uma boa piada e partida).

 

E cada uma das personagens assume um papel de relevo também nesta fase. Temos uma Tia May mais jovem, mas também interessante (interpretada por Marisa Tomei), e um Vulture que consegue ser dos vilões mais dualistas e realistas do momento, com um Michael Keaton a fazer uma excelente papel.

 

Não há dúvida de que Keaton é fantástico em tudo o que faz, mas o seu Vulture tem um pouco de tudo: humanidade, malvadez, aleatoriedade, ingenuidade, vilania... É bom ver como o seu vilão é tão completo, ganhando um protagonista que baste.

 

 

A única coisa que pareceu faltar em Regresso a Casa foi uma melhor distribuição dos acontecimentos. Apesar de todos os momentos de tensão estarem bem distribuídos, é um filme que tem o seu quê de longo. Mesmo que os acontecimentos sejam importantes, nota-se uma ligeira quebra na parte final do filme, e menos meia hora seria o ideal para sairmos da sala com uma tensão querida.

 

Concluindo: Homem-Aranha: Regresso a Casa cumpre aquilo para o qual foi criado. É um filme feel-good, que nos entretem e faz passar um bom bocado, enquanto nos dá uma nova perspetiva sobre uma história que já conhecemos de trás para a frente. Foi interessante conhecer novos aspetos da vida de Peter Parker, e ter uma personalidade talvez mais próxima daquilo que se imagina na BD. É um bom regresso para o aranhiço, e com certeza uma aposta ganha para a Marvel.

 

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LIVROS QUE DERAM FILME – O Planeta dos Macacos

Há uns tempos, enquanto percorria a prateleira de livros na casa da minha avó, fiquei intrigada com um deles. Na lombada dizia O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle. Veio logo à memória o filme do Tim Burton em que humanos são capturados por gorilas falantes.

 

Até então, achava que O Planeta dos Macacos tinha sido apenas fruto de uma mente cinematograficamente muito criativa. Talvez até já tivesse ouvido falar que era baseado num romance, mas nunca me tinha feito o click quando olhava para as lombadas daquela prateleira. Uma falta de livros para ler levou-me a pegar nele, e a viagem começou.

 

Uma viagem até à mente de Boulle, que em 1963 apresentou este mundo estranho e complexo aos seus leitores. Mas como é que é possível que uma comunidade de macacos exista e seja civilizada, enquanto os humanos são escravos?

 

O livro em si é uma viagem alucinante e interessante, que não só nos leva para este mundo estranho, como nos conta como aconteceu e a sua origem. Apesar de não se deixar levar muito por esta questão, ficamos com uma ideia geral dos acontecimentos. O melhor, porém, são os vários plot twists e que tais que nos deixam de boca aberta – sobretudo quando já conhecemos a história depois de vermos uns três filmes sobre ela.

 

Eu gostei mesmo do livro, não só por ser estranho e descabido, mas sim porque está super bem construído e escrito, com aquele estilo do meio século.

 

 

E não devo ter sido a única porque, em 1968, chega a primeira adaptação para cinema desta obra de Boulle. Confesso que nunca assisti, mas o sucesso foi tal que deu origem a quatro sequelas, que se deixaram inspirar por este universo: novas histórias, novas descobertas, as origens e a guerra pela conquista.

 

Para mim, a minha primeira experiência foi com a versão de Tim Burton, que só chegou em 2001. Apesar de ser um filme que chega às expectativas (quer dizer, quem não acha que a Helena Bonham-Carter consegue ser uma excelente atriz até quando está com um fato de macaca?), depois de ler o livro percebi que a adaptação está aquém do romance. Burton e a equipa de argumentistas partiu apenas da premissa de que existe um planeta assim, e não adaptou mesmo a história criada por Boulle.

 

O mesmo aconteceu com o reboot da saga em 2011, com o lançamento de Planeta dos Macacos: A Origem.

 

A partir daqui, voltamos à saga original iniciada nos anos 70, mas desde o início. Utilizando como inspiração o quarto filme da série, Conquest of he Planet of the Apes, partimos à descoberta das origens deste planeta, e de como os macacos chegaram até à civilização.

 

 

O caminho continuou a ser perseguido durante os dois filmes seguintes, culminando em Planeta dos Macacos: A Guerra, que estreia hoje nas salas portugesas.

 

Temos visto a batalha entre macacos e humanos, e como é que a inteligência dos primeiros tem crescido. Agora, vamos ver uma batalha em que o seu líder, Caeser, tenta vingar a sua espécie e conquistar o que é seu por direito... ou ele assim pensa.

 

É claro que, mesmo que não exista um seguimento de A Guerra, sabemos como é que acaba, e o que acontece a seguir. O bom desta nova trilogia foi que nos levou por caminhos novos, e nos mostrou o que ainda não sabiamos sobre este planeta.

 

Pelo que sei, apenas o primeiro filme, de 1968, conseguiu pegar nas revelações e pretensões da obra de Boulle e criar uma adaptação consistente. Apesar das suas diferenças, a crítica, e mesmo os plot twists, acompanham um pouco aquilo que encontramos no livro.

 

 

O que tem o seu quê de bom, e de mau: por um lado, conseguimos uma adaptação consistente e concreta; por outro, perdemos uma boa parte da experiência de ler o livro.

 

Mesmo assim, gosto que os filmes seguintes tenham mantido uma certa distância da obra. De uma forma muito interessante, utilizaram a criação do autor francês para nos mostrar aventuras distintas, sem na verdade nos apresentar a Ullysse e Nova, Jinn e Phyllis. Gosto que nos tenham ajudado a perceber o universo, e que não anulem na totalidade aquilo que Boulle escreveu.

 

Assim, conseguimos ver os filmes, sabendo que a experiência de ler o livro pode continuar a ser uma novidade.

 

E meus amigos, que novidade!

Os novos filmes deste ano – parte II

A segunda metade de um ano está sempre recheada de filmes que piscam o olho às entregas de prémios; ficam mais frescos na memória, e escapam a alguns lançamentos que foram feitos logo no início.

 

A juntar aos filmes que calharam estrear nesta altura, torna-se difícil construir uma lista curta e concisa, que nos leve numa viagem pelos filmes que temos mesmo de ver.

 

2017 não é exceção, e são ainda muitos os filmes com interesse que ainda estão para vir. Se se recordam da parte I, foi apenas uma amostra (e que conseguiu chegar às expectativas) do que nos chegou às salas.

 

Por isso, agora vamos dar espaço a mais filmes, mais histórias e mais experiências. Escolhi aqueles que quero mesmo ver, ou que achei interessantes e que acho que merecem uma chance.

 

E vão perguntar: cadê o Thor: Ragnarok, ou O Crime no Expresso do Oriente, ou até A Hora Mais Negra (com um Gary Oldman totalmente disfarçado de Wiston Churchill)? Eles chegarão, eles chegarão a seu tempo.

 

 

Dunkirk

 

 

Não podia deixar de falar do novo e mais recente filme de Christopher Nolan, um dos realizadores da atualidade que mais facilmente me deixa com o rabo colado ao sofá – um tema a que regressaremos em breve.

 

Exatamente por isso, Dunkirk é um dos lançamentos que aguardo com mais expectativa. Quero muito ver o que é que Nolan (que também escreveu o argumento) faz com a história verídica de Dunkirk, a cidade francesa em que as tropas aliadas ficam rodeadas de alemães, e sem lugar para se virar além do mar durante a Segunda Guerra Mundial.

 

É como juntar duas grandes coisas de que gosto: a Segunda Guerra Mundial e Christopher Nolan.

 

O filme conta com alguns habitues dos seus filmes, como Cillian Murphy e Tom Hardy, mas também temos Kenneth Branagh e, espante-se, Harry Styles (sim, aquele menino que era dos One Direction).

 

Por isso, dia 20 de julho lá estaremos nos cinemas.

 

 

Baby Driver

 

  

Ultimamente, muito se tem falado sobre Baby Driver, o novo filme de Edgar Wright e que tem Ansel Elgort como protagonista. Apesar de só estrear em Portugal a 3 de agosto, em alguns países já estreou e tem sido muito bem recebido pelo público.

 

Para mim, bastava ser de Wright para chamar a minha atenção – afinal de contas, o senhor é um dos responsáveis pelos filmes da trilogia Cornettom, a par de Simon Pegg. Mas a história também parece interessante. Ora vejamos: um jovem condutor habituado a ajudar criminosos a fugir de cenas de crime vê uma oportunidade de ter uma vida normal e limpa, mas não sem antes participar num assalto que tem tudo para não ser bem sucedido.

 

Parece que já vimos isto várias vezes, não é? Pois é, mas o visual, a construção das personagens e o facto de termos nomes como Kevin Spacey e Jamie Foxx no elenco, faz-me pensar que há muito mais por aí.

 

 

It

 

 

Aviso: este filme não é aconselhado para corações sensíveis – não fosse este baseado num livro de Stephen King. Lançado pela primeira vez em 1986, o romance tem despoletado horrores e tremores frios a quem o lê desde então.

 

A culpa é de It, um ser que aterroriza quem persegue e que tem predileção por crianças. Para conseguir atraí-las, prefere mostrar-se como palhaço.

 

Se o livro já tem ar de ser assustador, o filme não lhe fica atrás. Só o trailer nos mostra que não vai ser um filme fácil de digerir, e estou pronta para receber lá para setembro.

 

 

Battle of Sexes

 

 

 

Há quem diga que tem tudo para ser a terceira nomeação para um Óscar da Academia para Emma Stone, e quem sabe uma segunda para Steve Carell. E não apenas pelas transformações físicas que os deixam ligeriamente irreconhecíveis.

 

A culpa está nos papéis que interpretam: ela a jogadora de ténis Billie Jean King, ele o também tenista Bobby Riggs. O filme, baseado numa história verídica, conta a história do confronto entre os dois tenistas, depois de Riggs demonstrar por várias vezes a inferioridade de King só pelo facto de ser uma mulher.

 

Escusado será dizer que, no mundo em que vivemos, é importante que este tipo de histórias seja reconhecido e aclamado; não é todos os dias que uma mulher mostra o seu valor no desporto, e pode ver a sua história partilhada para milhões de pessoas. Se queremos mesmo mostrar como o mundo pode ser igual, são estes os destaques que devemos fazer.

 

 

Kingsman: The Golden Circle

 

 

A tão esperada sequela de Kingsman: Serviços Secretos (2014) chega finalmente em setembro! Foram três de espera mas, a ver pelo trailer, serão compensados.

 

Eu sou fã confessa do primeiro Kingsman, por várias razões. Adorei o toque de comédia num filme de espiões, e as interpretações de todos os atores – sobretudo de Samuel L. Jackson e do estreante Taron Egerton.

 

Agora, é a vez da equipa se juntar a uma agência norte-americana para combater um novo inimigo. A ver pelo trailer continuamos a ter ação e comédia, e personagens com um toque único e muito chamativo. Cá estarei em setembro para os receber!

 

 

Blade Runner 2049

 

 

 

Muitos pediram, e muitos esperam desde 1982 para que Blade Runner tenha o seu regresso ao Cinema. As preces foram ouvidas: lá para outubro chega Blade Runner 2049, 30 anos depois do primeiro filme e com um novo agente no ativo.

 

Calhou a Ryan Gosling a bomboca de interpretar K, um agente que descobre um segredo que pode deixar a sociedade no caos. À procura de uma solução, parte em busca de um agente que está desaparecido há 30 anos. Sim, adivinharam: Harrison Ford está de volta!

 

Depois de ter ficado de coração partido com o que aconteceu em Star Wars: O Despertar da Força, é bom que este regresso de Ford não desiluda. Por favor!

 

 

The Mountain Between Us

 

 

 

É o típico filme de tragédia e sobrevivência humanas: dois estranhos dentro de um avião sobrevivem à sua queda, e têm de se apoiar um ao outro para sobreviver. O que torna tudo mais interessante é que são totalmente estranhos, e não sabem anda um sobre o outro.

 

Não conhecia este filme até começar a fazer esta lista. Nem sequer conhecia a história ou tinha visto o trailer quando o pus o seu nome da shortlist que escolhi para publicar, de entre os vários que encontrei. Mesmo assim, ter visto que tinha Kate Winslet e Idris Elba dos principais papéis fez-me ficar muito curiosa.

 

Sou fã confessa de ambos os atores, e acredito que isso seja meio caminho andado para o sucesso. Eu sei, esta crença já me desiludiu no passado (ainda se lembram de A Luz Entre Oceanos?). Porém, nada como experimentar de novo para ter a certeza.

 

Só me resta esperar.

 

 

Liga da Justiça

 

 

 

Ei-lo: depois de surpreender no campo dos filmes de super-heróis ao estrear um filem apenas sobre os vilões, a DC volta a apostar forte na Liga da Justiça, que deve chegar em novembro.

 

Para os que não estão familiarizados com a banda desenhada, a Liga da Justiça é como Os Vingadores, mas com os heróis DC. Surgiu algures nos anos 60, quando uma ameaça global fez com que os mais fortes super-heróis se juntassem para a derrotar. A formação que vamos ver no filme não é muito diferente daquela que inaugurou a liga na BD: Batman (Ben Affleck), Mulher Maravilha (Gal Gadot), Aquaman (Jason Mamoa), Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher). É possível que, com o tempo, outros nomes se juntem – sobretudo o de um certo Homem de Aço que teve um fim misterioso da última vez que o vimos.

 

A DC tem muito a provar com este Liga da Justiça. Os reboots de Super-Homem e o confronto com o homem morcego, bem como Esquadrão Suicida, não foram bem recebidos pelo público. A pressão do universo Marvel, e a tentativa de entrar por ângulos de história mais negros pode ter funcionado para alguns (eu até gostei de alguns deles), mas não todos.

 

Com Mulher Maravilha, que tem quebrado recordes de bilheteira desde que estreou, parece ter mudado a sorte. Eu gostava que este Liga da Justiça seguisse este sucesso, porque prefiro claramente a #TeamDC.

 

 

Star Wars: O Último Jedi

 

 

 

Eu acho que basta pôr aqui este trailer para perceber porque é que tem de estar nesta lista. Estamos a falar do novo episódio de Star Wars, talvez aquele em que finalmente vamos perceber o que é que aconteceu a Luke durante todo este tempo – e voltaremos a ser agraciados pela presença de Carrie Fisher.

 

Não, não tenho nada a dizer, a não ser que quero muito ver isto. Eu fui uma das que defendeu fervorosamente O Despertar da Força, mesmo quando muitos diziam que não passava de um Episódio IV moderno. Aliás, parte da minha paixão vem disso mesmo.

 

É claro que quero saber como continua! Eu nunca tive a oportunidade de saber a sensação de descobrir quem era o pai do Luke, e espero mesmo que esta nova trilogia tenha uma revelaçãoo dessas para finalmente poder vivê-la.

 

Este novo filme tem a novidade de ser realizado por Rian Johnson, e não J.J. Abrams. Tenho pena que Abrams não regresse, mas quero ver o que Johnson (que já realizou Looper – Reflexo Assassino e Os Irmãos Bloom) pode trazer à história.

 

Chega dezembroooo!

 

 

Um Ritmo Perfeito 3

 

 

 

As Bellas estão de volta!

 

Pitch Perfect foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nos últimos anos. Em 2012 estreava o primeiro filme, com uma premissa simples e até juvenil: um grupo de universitárias faz tudo para melhorar o grupo de canto acapela feminino da faculdade. Elas discutiam, cantavam, e percebiam que a amizade era o melhor de tudo – e eu adorava cada minuto!

 

Até agora, cada um dos filmes, se bem que simples e puramente perfeito para entretenimento, tem sido uma ótima construção entre musical e comédia. É moderno, feel good e muito, mas muito divertido.

 

Não espero menos desta terceira parte, que em muito veio depois do pedido dos fãs. As Bellas estão todas de regresso, agora para participar num concurso internacional e que esperam que as leve de volta para a ribalta.

 

Por mim, já lá estão!

 

E que dizer de Mother, o novo filme de Darren Aronofski com Jennifer Lawrence e Javier Barden? Ainda pouco se sabe sobre o filme, mas só esta equipa e o poster fazem-me ficar com água na boca!

 

 

Porque é que Regresso ao Futuro sempre que posso

Corria o mês de julho de 1985 quando os cinemas norte-americanos se viram inundados por uma história diferente. Não era uma história sobre o espaço, seres de outro mundo ou eventos históricos; não era bem uma comédia romântica passada em Nova Iorque, e não era um drama daqueles de fazer chorar as pedras da calçada. Para surpresa de muitos, era uma história sobre um jovem de 17 anos numa encruzilhada entre tempos.

 

 

 

Desde então que as viagens de Marty McFly e do seu bom amigo Doc Brown fazem parte do imaginário de muito boa gente, eu incluída. Não me lembro bem da primeira vez que assisti a um dos filmes da trilogia, mas a verdade é que desde o primeiro minuto que senti que aquela era uma das sagas da minha vida.

 

O que é estranho, porque nunca vivi aqueles filmes tão intensamente como tantos outros que sairam em tempos mais recentes, e que pude assistir de perto ao seu lançamento. São filmes que não consigo deixar de ver quando estão a dar na televisão, e que guardo no coração com carinho.

 

Para mim, acho que a razão principal é que não existe um estilo definido para este filme; é comédia, mas também é ficçao científica, tem o seu quê de romance, um ligeiro drama, e aquela bonita relação de amizade e amor pela família que nos faz pensar que tudo está bem no mundo.

 

Isto em três filmes tão simples, mas tão bem construídos e interligados entre si que quase conseguimos pensar neles como um só filme, dividido em três partes. Se há coisa que gosto de ver são sequelas que fazem sentido, e que são tão boas ou melhores do que o original (uma espécie em vias de extinção em alguns casos mais bicudos).

 

 

 

Neste mundo do cinema, às vezes falta um toque de magia aos momentos que parecem mais simples - e aí, Robert Zemeckis, o senhor responsável por escrever e realizar a trilogia, tem um dom que tem sido testemunhado em várias das suas obras.

 

No caso de O Regresso ao Futuro, essa magia pode até ter vindo na pessoa de Doc Brown, aquele excêntrico e estranho professor que conseguiu transformar um carro em máquina do tempo. Mas quem é que alguma vez tinha pensado nisso?

 

Pode também, em qualquer caso, ter vindo na pele do jovem Marty, que sem se aperceber tem de usar até as ferramentas mais estranhas (como um skate flutuante, ou ténis que se abotoam sozinhos) para alcançar muito mais do que um futuro brilhante: um futuro em que ele possa ser feliz, com aqueles que não quer perder.

 

Ou pode ter vindo e toda esta mistura de situações e momentos, pessoas e personagens, que conseguem levar-nos numa viagem estranha mas extremamente engraçada a tempos e lugares estranhos.

 

 

 

No fundo, a magia está em todos os elementos que se combinam e tornam até a história mais simples, numa viagem alucinante.

 

Já por várias vezes disse e repeti que, para mim, a simplicidade consegue ganhar várias vezes às explosões e ao fogo de artifício. Eu não preciso de regressar a um filme que me faça pensar sobre a vida, ou que seja tão filosófico e complexo que tenha de o ver várias vezes para o perceber. Eu regresso aos que me fazem sentir bem, aos que me fazem rir, aos que me fazem perder-me na narrativa, aos bons; mesmo que não tenham ganho prémios.

 

E a vocês, o que vos faz regressar ao futuro?

 

Oh meu verão amigo

Se ainda não repararam, eu gosto muito de ir ao cinema. Gosto da experiência, de ver um filme naquele ecrã gigante, com tudo às escuras, num momento em que estou apenas eu, o filme, e o ocasional anormal que gosta de comer pipocas de boca aberta – até por esses conflitos eu tenho um certo apreço.

 

Mas não gosto de ir seeeempre ao cinema: para mim, a melhor hora é durante a tarde, lá para a sessão das 18h, em que sais do filme e vais comer uma coisa leve, e ainda tiveste tempo para aproveitar o dia até lá chegares. Se for muito à tarde lixa-te os planos da tarde; se for muito à noite não vais chegar a tempo daquele copo com a malta. Por isso, aquela hora é ideal.

 

Com a chegada do verão fico com um problema: é que às 18h estou eu ainda de corpo ao sol, banhado pelo mar, a aproveitar o calor e aquela sensação de praia que não tem igual. Eu preciso de praia para me sentir bem; eu preciso de calor e de mar para conseguir ganhar energia para uma nova semana.

 

Nesta equação, fica complicado incluir duas a três horas para ir ao cinema. Ir ao cinema implica perder uma tarde de praia, e passar uma parte do dia enfiada numa sala escura. Com um dia tão bom, tenho mesmo de ir para uma sala escura?

 

Não, não tenho. E exatamente por não ter de o fazer, é que acabo sempre por deixar o cinema para segundo plano. Acreditam que ainda não fui ver a Mulher Maravilha?

 

Sinto vergonha em admiti-lo, mas é verdade. O tempo tem estado tão bom que, mesmo durante a semana, apetece tudo menos estar numa cadeira durante três horas, quando podia estar num qualquer sunset.

 

Será que isso faz de mim uma amante do cinema de ocasião?

 

Gosto de acreditar que não, que faz de mim uma mulher cheia de paixões, e com muita pouca capacidade para priotizar o seu prazer.

 

Até porque, porque raio temos de priotizar o que quer que seja, quando falamos das coisas que nos dão prazer? Posso estar envergonhada por ainda não ter visto a Mulher Maravilha, mas só porque há meses que estava à espera do filme, e todos me dizem que está muito fixe, não porque acho que tenho de ver os grandes filmes todos no dia em que estreiam. Se assim fosse, nem a minha carteira, nem a minha agenda, iam aguentar.

 

Isto tudo para dizer que nem sempre é preciso passar a vida enfiada no cinema para gostar do que se vê, ou até para escrever sobre ele. O cinema é um mundo tão vasto e espetacular que (mesmo que não pareça, pela falta de conteúdo recente neste espaço) está cheio de coisas fantásticas e interessantes sobre as quais podemos falar. E hei de conseguir falar sobre algumas delas nos próximos tempos.

 

Mas vá, prometo umas reviews de vez em quando.