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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

#RoadToTheOscars - Silêncio (2016): a opinião de uma orgulhosa portuguesa

Sinopse: Rodrigues (Andrew Garfield) e Gadupe (Adam Driver) são dois padres jesuítas portugueses que se voluntariam para ir ao Japão com duas missões: propagar a fé cristã, e saber onde está o seu mentor, Ferreira (Liam Neeson). Isto numa época em que o governo japonês proibia o Cristianismo, e perseguia qualquer cristão que se insurgisse.

 

 

Não foi um filme fácil de produzir: Martin Scorsese precisou de mais de duas décadas para conseguir trazer para o grande ecrã a adaptação do romance de Shūsako Endō, escrito em 1966. Houve mudanças de elenco, algumas divergências de produção e entraves vários, mas 2016 marcou o ano do seu lançamento – mesmo a tempo da época de prémios.

 

Só o facto de ser um novo filme de Scorsese é motivo para dar uma oportunidade. Sabendo que se trata da história de jesuítas portugueses, e que a cultura portuguesa seria com certeza muito pungente, a curiosidade aumentou. Pena que a sua nacionalidade e nome fossem as únicas coisas portuguesas.

 

Assistir a Silêncio é uma experiência... diferente. Temos de ter em atenção que é um filme religioso, em que a sua principal premissa passa por questionar a fé e o seu poder nos protagonistas. Por isso, pode ser pouco interessante para quem não tenha qualquer interesse neste tipo de tópicos.

 

Porém, aquilo que mais chama a atenção é, sem dúvida, a cinematografia. As paisagens em Silêncio fazem o filme, e o jogo de luzes, entre a escuridão e o dia, são de tirar o fôlego. Talvez por isso tenha sido o Óscar para Melhor Cinematografia a única nomeação que o filme recebeu na edição de 2017.

 

 

Porque, além disso, não há muito mais por onde pegar. É claro que o toque de mestre de Scorsese está muito vincado, sobretudo na ausência de som e banda sonora que nos ajudam a compreender o silêncio que os protagonistas sentem. Existem cenas que de facto nos deixam surpresos e espantados pela forma como estão filmadas e editadas, e isso só é possível porque estamos perante a obra de um mestre.

 

Mesmo assim, o restante fica aquém das expectativas. A ação parece ser um pouco desconectada, e apesar de seguir uma linha muito bem delineada, parecem existir demasiados interlocutores. Não existe um momento que nos faça saltar da cadeira com a surpresa, ou que nos leve a pensar que há algo de fantástico neste filme. O dilema religioso acaba por abafar as restantes temáticas – principalmente a perseguição aos cristãos.

 

Apesar das interpretações serem muito bem conseguidas (sobretudo Garfield, que segue uma viagem muito emotiva), não deixam de soar a falsas e artificiais. Porquê? Porque todos tentam fazer um sotaque português falhado, e de latinos têm muito pouco.

 

Todos sabemos que um filme com legendas nos Estados Unidos tem logo metade das audiências. É um desafio, e talvez tenha sido por isso que Scorsese tenha optado por um elenco totalmente americano para interpretar personagens latinas. Apesar dos esforços para incorporar algumas palavras portuguesas (padre, Deus, os nomes das personagens), não soam a autênticas.

 

 

Talvez seja por eu ser portuguesa que estas questões me fazem comichão. É que, para o bem e para o mal, eu tenho muito orgulho em ser portuguesa, e tenho muito orgulho que um cineasta como Scorsese tenha escolhido uma história do nosso país para fazer um filme. Esse orgulho cai um pouco quando vejo atores japoneses a interpretar personagens japonesas, e depois vejo sotaques estranhos a imitar alguém do meu país.

 

É uma questão prática, claro. Mas não deixa de soar a... menos verdadeiro. Americanos a pronunciar “padre” e “Deus” não têm a mesma força; a enrolar os erres quando tentam chamar “Francisco” ou “Rodrigues” parecem parvos. E se Scorsese queria algo autêntico, falhou o objetivo.

 

Silêncio acaba por se tornar mais promessa do que outra coisa. É um bom filme, que com certeza para os cristãos terá um significado diferente do que aquele que teve para mim, assumida agnóstica. Mas sabe a (muito) pouco.

 

***

Sobre Amour, Emmanuelle Riva, e as inevitabilidades da vida

Corria o ano de 2012 quando um filme de língua francesa foi nomeado para os Óscares. Eu, na minha ânsia de conseguir ver todos os filmes nomeados, fui assistir. Ainda por cima era escrito e realizado por um mestre que tinha passado a adorar anos antes, Michael Haneke. Os seus filmes tinham a capacidade de entrar dentro de mim como poucos o conseguiam, e achava que este Amour não seria diferente. 

 

À sua maneira, foi totalmente diferente. 

 

 

Depois de assistir a Amour pela primeira vez, fiquei sem palavras. Aquela história de amor entre um casal já velho fez-me novamente acreditar que sim, o amor até à morte é possível. A sua luta, e acima de tudo, a sua entrega, ficaram de tal forma gravadas na minha mente que nunca mais consegui rever este filme. É uma história intensa, gravada com um ambiente que raramente encontro. 

 

Fisicamente, não consigo rever Amour. Mesmo assim, digo com toda a franqueza que é um dos filmes da minha vida, que moldou a forma como vejo Cinema, e que me fez pensar nisto que é a vida de uma perspetiva diferente. 

 

Há muito que não pensava em Amour. Apesar de ser tão próximo do meu coração, poucas são as vezes que me atrevo a tê-lo tão próximo de mim. Mas pela primeira vez em quatro anos tive vontade de o rever - e talvez até uma certa necessidade. É que descobri que a protagonista, Emmanulle Riva, faleceu aos 87 anos de idade.

 

Riva foi a mais velha atriz a receber uma nomeação para um Óscar da Academia, precisamente por causa de Amour. Foi um portento do Cinema francês e internacional, se bem que, para mim, será sempre no papel de Anne que a vou recordar. 

 

Porque há filmes e papéis que nos fazem isso: ficam de tal forma gravados na nossa mente, que dificilmente vamos pensar em todo o espólio que deixaram. Aconteceu-me com Alan Rickman e até John Hurt, que partiu com algumas horas de distância de Riva. 

 

 John Hurt, aqui no papel de Ollivander, em Harry Potter, faleceu no mesmo dia de Emmanuelle Riva. 

 

Com Amour, Riva fez-nos ver a fragilidade da pessoa humana, mas como o seu espírito pode continuar forte e ativo. Apenas com uma expressão facial (ou melhor, a falta dela), vemos tanto mais do que uma pessoa doente. 

 

Todos sabemos que não vamos viver para sempre. A morte, essa palavra feia e negra, é a única certeza que temos na vida - mais cedo ou mais tarde, vai bater-nos à porta. 

 

Tenho aprendido a aceitar a morte ao longo do tempo. Não porque já assisti à sua chegada de perto muitas vezes, mas porque as experiências que tive me mostraram que aceitá-la é o primeiro passo para nós próprios nos prepararmos para o destino. 

 

Amour, mais do que uma história de amor, é também um testemunho de aceitação da morte e do seu destino. É a realização de que, há alturas da nossa vida, em que já fizemos tudo o que havia para ser feito. 

 

 

Não sei se Riva fez tudo o que queria. Nem sei se partiu com a serenidade da sua personagem. No entanto, terei para sempre na memória aquela lição que nos deixou em Amour. E para mim, será sempre a Anne que transmitiu mais emoções sem dizer uma palavra, do que autênticos monólogos que aparecem por aí. 

 

Aos que partem, obrigada.

O Cinema não acontece só no ecrã gigante

Muitos começam os seus textos sobre o mundo contemporâneo a dizer que o mundo mudou. Que a internet trouxe-nos boas e más oportunidades, que andamos todos loucos, e que as redes sociais são um antro de praticamente tudo o que bem custe de errado com a sociedade ocidental. 
 
Não confirmo nem desminto. Não sou eu a responsável por ter de analisar tudo isso, é confirmar se estamos a ir num bom ou mau caminho. O que sei é que as coisas mudaram, e isso não é necessariamente mau. 
 
Ainda há dias, a minha avó contava-me que na sua meninice era caríssimo ir ao cinema. Ela é os irmãos lá conseguiam esgueirar-se depois do início da sessão, porque conheciam o porteiro. Mesmo sem saber ler, ela assistiu e ficou maravilhada com filmes sobre a vida de Cristo, e outros tantos que lhe surgiram. 
 
Hoje, ir ao cinema pode ser tão simples quanto abrir o computador e inserir uma palavra passe. E não falo daqueles sites que todos conhecemos e adoramos ter acesso, em que não pagamos exatamente uma subscrição.
 
A semana passada, estreou no Sundance Film Festival um filme chamado The Discovery. Tem tudo para me querer numa sala e cinema: Rooney Mara, Jason Segel e Robert Redford no elenco, e uma história de amor que se passa um ano antes de se provar a existência da vida depois da morte. O trailer interessou-me imenso, e já o pus na minha lista.
 
 

 
Mas não para ver numa sala, como tradicionalmente o fazemos. É sim para ver no Netflix, já a partir de dia 31 de março. 
 
Filmes produzidos apenas para televisão não são uma novidade. A maioria dos filmes com chancela Disney que vimos na nossa infância (quem nunca viu Zenon, A Rapariga do Século XXI não sabe o que perdeu) foram feitos para estrear no canal, bem como muitos outros. Nem é este o primeiro filme filme Netflix. A questão é que agora os níveis de produção e comunicação estão muito mais avançados. 
 
The Discovery não foi só um filme produzido para o Netflix. É sim, mas também é um filme que estreou num dos mais importantes festivais de cinema independente do mundo. Como The Discovery, já não são apenas filmes produzidos para a internet: são Cinema. 
 
Tudo mudou, penso eu, em 2015, quando também no Netflix estreou aquele que muitos críticos consideraram o melhor filme do ano: Beasts of no Nation. A história e a interpretação de Idris Elba foram elogiados em todo o mundo, mas todos se esqueceram na altura de entregar um prémio. Claro que ajudou o facto de a award season de 2016 ter sido uma das mais brancas de que há memória. Mas o Netflix tinha criado uma baliza que dificilmente conseguirá fazer desaparecer.
 
É bom viver num mundo em que as produções ganham novas asas, e nos permitem encontrar importantes peças de Cinema em qualquer lado. Nas salas, na TV ou na internet, o meio é pouco relevante quando temos tão bons filmes a estrear. 
 
Não acredito que as salas vão morrer um dia. Elas têm a sua magia, e continuam a atrair cada vez mais pessoas, porque há filmes que só se veem num ecrã gigante. Mas o melhor é que isso já não é regra, e um bom filme pode estrear em qualquer lado. 
 
Gosto da liberdade de, a 31 de março, poder assistir a The Discovery na minha pausa de almoço. E mesmo assim, é como se tivesse ido à sua estreia na sala de cinema. Gosto das opções, e da variedade que temos cada vez mais. 
 
Por isso, para aqueles que estão a estudar se isto da internet é bom ou mau, fica a dica: é melhor do que ficar agarrada a uma só (e pobre) opção. 

La La Land (2016): por que anda a arrebatar corações

Sinopse: Mia (Emma Stone) é uma aspirante a atriz, que corre entre um emprego fixo e audições que podem dar-lhe o grande papel que ambiciona. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz que sonha abrir o seu próprio clube, e manter o género vivo. Ambos são apenas dois dos artistas que tentam singrar na cidade de Los Angeles, e cujos caminhos se cruzam.

 

 

Para falar sobre La La Land, é preciso um certo contexto. Ou melhor: para que possam perceber porque vou falar assim de La La Land, vão precisar de contexto.

 

Temos de começar pelo facto de este ser já considerado um dos filmes de 2016 (foi em 2016 que estreou, apesar de as salas portuguesas ainda não terem sido agraciadas com a sua presença). Quebrou recordes ao ser um dos maiores premiados da história dos Globos de Ouro, e todos esperam que repita a proeza nos Óscares.

 

Tudo em La La Land tem sido elogiado: as prestações de Stone e Gosling, o poder de direção de Damien Chazelle, a história poderosa que consegue dar-nos esperança no futuro, enquanto homenageia os grandes clássicos do passado.

 

A questão que se coloca é: será que La La Land merece toda esta atenção? É mesmo assim tão bom?

 

Os puristas que não gostam de filmes musicais, ou que preferem os que são muito profundos e filosóficos, vão dizer que não. Vão dizer que um filme como La La Land, que parece tão simples, nunca poderá ficar entre os grandes da história.

 

Estes últimos possivelmente esquecem-se que O Artista já conseguiu ganhar um Óscar sem praticamente ter sido dita uma única palavra. E esquecem-se que o grande cinema americano começou por ser assim, simples e cheio de notas musicais.

 

 O cantor John Legend participou no filme, não só como ator, mas na composição de uma das músicas e como produtor executivo do filme.

 

Não sei se La La Land é um dos melhores filmes do ano - mais por não ter ainda assistido à concorrência, não tanto por achar que não merece. Porém, uma coisa é certa: La La Land merece toda a atenção; é simples, é bonito, é mágico.

 

Posso ser suspeita, porque adoro musicais. No teatro ou no cinema, gosto quando conseguem conjugar a ação com músicas que nos fazem sentir tudo e mais alguma coisa.

 

O que Chazelle conseguiu ao escrever e realizar La La Land foi um filme de fantasia, que nos toca como um choque de realidade. Apesar de vermos números musicais a surgirem em sítios improváveis, sequências de dança a serem pensadas e sincronizadas no momento, toda a história toca-nos de uma maneira muito real e crua.

 

Mia e Seb são um pouco como todos nós. Eles lutam pelo seu sonho, apaixonam-se, tentam viver com os obstáculos que surgem numa relação, e têm de perceber o que é melhor, não só para si enquanto casal, mas enquanto indivíduos. Todos nós podemos passar por aí, e com certeza que vai acontecer num certo ponto da nossa vida.

 

Só que Chazelle (que em 2014 escreveu e realizou um dos filmes que mais profundamente mexeu comigo, Whiplash) consegue fazê-lo enquanto nos transporta para uma Los Angeles que é contemporânea, e ao mesmo tempo transpira a História de Hollywood e do cinema clássico.

 

 

É impossível não vermos La La Land sem pensarmos nos filmes da época dourada de Hollywood. A forma como está filmado, as sequências, alguns dos próprios diálogos das personagens levam-nos até uma época que todos pensavam que tinha sido deixada para trás.

 

É claro que o cinema evoluiu, e ainda bem. Mas o que Chazelle faz é uma homenagem a esses tempos, sem que para isso tenha de abdicar de tudo o que faz deste um filme mais do que contemporâneo.

 

Claro que a presença de Stone e Gosling dá um toque mais do que especial à ação. Eles cantam, eles dançam (bem ou mal, é discutível. O importante é que é genuíno) e, acima de tudo, interpretam com todas as emoções que têm no corpo. É impossível não ficar rendido à paixão que Gosling transpira enquanto toca piano, ou à fragilidade de Stone quando acredita que os seus sonhos não passam disso mesmo: sonhos.

 

Sem eles, acho que La La Land não seria a mesma coisa. Este é um papel que lhes assenta que nem uma luva.

 

Volto a dizer: não sei se este é o melhor filme do ano. É, com certeza, um dos mais bonitos e mágicos, e que eleva o amor a um outro patamar. A mestria de Chazelle, e as interpretações dos dois atores, merecem definitivamente os seus elogios.

 

O “problema” é que, às vezes, os filmes que mais nos tocam nem sempre precisam de ser os melhores. Nem sempre precisam ganhar Óscares e Globos de Ouro, ou de encherem manchetes de noticiários. La La Land pode ser um desses casos. Vai ficar com certeza na minha memória, e adoro que tenha sido feito.

 

E para mim, essa magia é que importa.

 

****

Olá, 2017 - os novos filmes deste ano, parte I

2016 já lá vai! Apesar de termos de esperar ainda alguns meses para assistir a alguns dos filmes mais elogiados de 2016, o novo ano traz consigo a promessa de ótimos filmes, surpresas e… super-heróis!

 

Eles podem estar em alta lá a partir do verão, mas a verdade é que há muito mais para esperar deste novo ano. E uma das minhas resoluções é conseguir vê-los a todos!

 

Por isso, vamos pegar nas pipocas (estão em casa, certo?), e preparar-nos para um ano em grande com cada um destes filmes. Todos eles têm data de estreia de 2017, e neste artigo vamos focar-nos nos filmes até junho.

 

Já estou em pulgas!

 

T2: Trainspotting 

 

 

 

20 anos depois de Trainspotting, chega-nos uma sequela que tem deixado os fãs em êxtase! As personagens estão de regresso, bem como Danny Boyle, responsável por dirigir o primeiro em 1996. 

 

Desta vez, o errático grupo de Edimburgo está de volta, mas deixa as drogas para agora se misturar entre as lides da pornografia. E se o primeiro se baseava no romance com o mesmo nome de Irvine Welsh, a sequela também tem um romance do escritor como base: Porno. 

 

Estamos todos à espera de voltar a testemunhar aquela loucura!

 

Logan

 

 

Dizem que é a última vez que Hugh Jackman vai interpretar a personagem de Logan/Wolverine. Depois de ser o ator que mais vezes interpretou a mesma personagem, 2017 pode ser o ano em que nos despedimos daquela que é uma personagem icónica. 

 

Não sem uma despedida à altura. Logan, que deve estrear lá para março, é o passar do testemunho que nos faz crer que ainda há mais para tirar deste universo. Tudo porque a personagem principal, juntamente com o Professor X (Patrick Stewart), têm de proteger uma jovem rapariga que se crê ser um clone de Wolverine. 

 

Todos nós já vimos onde isto vai dar, mas independentemente disso tudo, o trailer tem ótimo aspeto, e quero muito ver o que isto tem para dar.

 

A Bela e o Monstro

 

 

O que posso dizer mais sobre a nova adaptação de A Bela e o Monstro? 

 

Já pude, por várias vezes, dizer que quero muito, mas mesmo muito, ver este filme. A Bela e o Monstro é um dos meus filmes de infância preferidos, e poder assistir a uma adaptação com tanta gente bonita é mesmo um privilégio. 

 

Além disso, já viram quão doce e encantadora é a voz de Emma Watson? Ninguém sabia que ia cantar no filme, até que um trecho de uma canção foi divulgado na internet. Mas agora, a Disney revelou com toda a qualidade esta bela voz. 

 

Quando é que chega março??

 

Kong: Skull Island

 

 

Sim, eu sei que já vimos vários e vários filmes que tenham o King Kong como protagonista, ou mero adereço. É verdade, e se calhar este Kong: Skull Island será apenas mais um. Mas tendo em conta que tem um elenco tão cheio de bons nomes, há um pouco de curiosidade.

 

Brie Larson, Tom Hiddlestone, Samuel L. Jackson, John Goodman, John C. Reilly… Tudo nomes conhecidos, que vão explorar uma ilha do Pacífico e descobrem que é habitada por monstros estranhos e aterrorizadores. 

 

Todos precisamos de um pouco de ação na nossa vida, não é?

 

Ghost in the Shell

 

 

Desde o início que este filme tem estado envolvido em polémica, sobretudo devido às escolhas do elenco - mais concretamente, de Scarlett Johnanson como protagonista. 

 

O filme é inspirado numa manga japonesa que surgiu pela primeira vez em 1989, e muitos queriam que o elenco transpirasse essas raízes e que fosse asiático. Bem, Johanson é bem norte-americana, mas a verdade é que até se tem saído bem em filmes de ficção científica, e pode ser que não seja diferente com este.

 

É uma discussão complicada… Mas falaremos mais dela quando o filme sair, em março. 

 

The Zookeeper’s Wife

 

 

Tem tudo para me chamar a atenção: a Jessica Chastain no papel principal, uma história bonita e inspiradora, e a Segunda Guerra Mundial como pano de fundo. Por isso sim, quero muito ver The Zookeeper’s Wife. 

 

Conta a história de um casal polaco dono de um jardim zoológico, que durante a guerra decide esconder refugiados judeus no seu espaço. 

 

Eu nem sabia que este filme ia existir até começar a escrever este artigo, mas mal posso esperar por abril!

 

Song to Song

 

O novo filme de Terrence Malick junta drama, romance e… música! sim, música: ao que parece, Song to Song, que deve chegar às salas lá para abril, gira à volta de dois casais ligados ao mundo da música.

Claro que sendo um filme de Malick não deve ser assim tão simples. o cineasta tem sido responsável por alguns dos filmes mais perturbadores dos últimos anos (e não digo isto num mau sentido); demorei algum tempo a processar A Árvore da Vida, e com este não será diferente. 

 

Só o elenco dá vontade de chorar: Ryan Gosling, Rooney Mara, Michael Fassbender, Natalie Portman, Christian Bale, Cate Blanchett… E estes são só alguns dos nomes que surgem na página do IMDB!

 

Guardiões da Galáxia, volume 2

 

 

Quando o primeiro filme saiu, em 2014, achei-o um dos melhores filmes com a chancela Marvel que já tinha saído! A verdade é que tinha andado desiludida com este mundo dos super-heróis, e Guardiões da Galáxia foi mesmo uma lufada de ar fresco que mostrou que sim, ainda havia bons filmes de ação, com humor qb e muita animação. 

 

Não espero menos deste segundo volume. As personagens regressam, novamente para tentarem salvar o universo. Só que desta vez as expectativas estão bem altas, e há pouco que me demova de que há de ser coisa boa. 

 

O verão será muito mais animado!

 

Mulher Maravilha

 

 

 

Mulher maravilha será o primeiro filme do género dedicado e protagonizado por uma mulher. Que belo tempo para se estar vivo! E vai começar uma tendência, ja que o lançamento de Captain Marvel, com Brie Larson, também já está anunciado. 

 

Mas já lá vamos. Os holofotes agora apontam para Gal Gadot e a sua Diana Prince, uma princesa amazona (sim, tipo Xena, a Princesa Guerreira) que decide explorar o mundo além da sua ilha natal. Só que entretanto, torna-se também uma das heroínas mais conhecidas de todos os tempos. 

 

Já tivemos um pequeno vislumbre daquilo que tem para nos mostrar em Batman V Super-Homem, no verão passado, mas há muito mais para ver…

 

Gru, o Maldisposto 3

 

 

Há uns tempo, Gru, O Maldisposto tornou-se um dos filmes de animação mais adorados por miúdos e graúdos. Seja pela sua história tão improvável. as meninas adoráveis, ou os seus ajudantes amarelos e muito engraçados, o que sabemos que é chegamos ao terceiro filme da serie, quarto do franchise (não nos podemos esquecer de Mínimos). 

 

Desta vez, Gru e Lucy unem forças para derrotar Balthazar Bratt, uma antiga estrela de cinema infantil que quer dominar o mundo. 

 

Esperem muita animação… amarela!

A Luz Entre Oceanos (2016): uma história de amor

Sinopse: Tom (Michael Fassbender) é um veterano da Primeira Guerra Mundial que se voluntária para trabalhar como faroleiro numa ilha isolada ao largo da Austrália. Ao casar com Isabel (Alicia Vikander), tornam-se a única companhia um do outro. Quando um bebé surge na ilha num bote à deriva, encontra aí a resposta à dor de ter perdido duas crianças em abortos espontâneos. Mas a dúvida se devem ou não ficar com a criança persegue-os ao longo do tempo, sobretudo quando descobrem as raízes da criança que acolhem.

 

Quem é que consegue resistir a estes dois? 

 

Já dizia Miguel Esteves Cardoso: o amor é fodido. É tão fodido que nos faz cometer loucuras mesmo quando estamos sãos. Pequenas mentiras, um casamento por impulso, uma prenda maior… ou raptar uma criança. 

 

O amor não se sente só por um parceiro, namorado ou marido. Sente-se pelas crianças que criamos em conjunto, por aquelas que nunca teremos a oportunidade de conhecer, e por uma vida em comum, em família. 

 

A Luz Entre os Oceanos é um filme de amor. Sobre esse amor que nos faz ficar loucos, e sobre o amor que nos ajuda a encontrar um propósito na vida, e um companheiro que sabemos que estará perto de nós para sempre, em qualquer momento. 

 

É o cliché: na saúde e na doença, até que a morte nos separe. Eu, romântica incurável, gosto de acreditar que é possível, por isso gosto de histórias em que um casal se mostra feliz, apaixonado e totalmente dedicado um ao outro, mesmo quando estão isolados de todo o mundo. Por isso, quando assisti a este filme, aquilo que me tocou mais foi a relação entre Tom e Isabel, e como o amor é mesmo um sentimento terrivelmente fatalista… e bonito de se sentir. 

 

Enquanto filme, A Luz Entre Oceanos é simples. É romântico, melodramático, e leva-nos numa montanha russa de emoções quase de propósito. Não é extraordinário; é lento, com um ritmo muito próprio, e talvez com emoção a mais. No entanto, penso que a sua história (e a bela fotografia, com paisagens de cortar a respiração) são únicas, de tal forma que merecem pelo menos uma visita. 

 

 

Eu esperava ser totalmente arrebatada por este filme. Não fui. Chorei no final, e fiquei imersa nos eventos como se os sentisse; no amor entre Tom e Isabel, na sua tristeza, na sua esperança, e no seu desespero. Mas não me arrebatou. 

 

Não é que alguém consiga ficar indiferente à trama e às suas nuances. Com as interpretações de Vikander (que tem sempre as emoções à flor da pele) e Fassbender, é difícil não sentir; só com a voz conseguem fazer-nos ficar comovidos. Da mesma forma que a presença de Rachel Weisz é arrebatadora, no papel da mãe biológica do bebé criado pelo casal. 

 

Mas não é o filme extraordinariamente belo de que estava à espera. São belas as paisagens, as interpretações e até aquelas mudanças de expressão quando uma nova emoção surge no olhar. Só que no geral, é apenas um bom filme. 

 

Isso não tem de ser uma coisa má. Aliás, tendo em conta a história que é, acho mesmo que vale só por isso: por ficarmos a conhecer as provações de cada uma das personagens e os seus sentimentos. 

 

 

Derek Cianfrance, o realizador e responsável pelo argumento, leva-nos mesmo a ver a vida de cada um por uma lente muito própria. Ele disse numa entrevista o The Guardian que gostava que o público fosse mirone nos seus filmes, e é o que efetivamente acontece aqui. Tendo em conta que falamos do senhor que nos trouxe filmes como Blue Valentine, há uma tendência para as histórias de pessoas reais. 

 

Estas pessoas podiam ser tão reais quanto tantas outras que desesperam por amor - por tê-lo encontrado e perdido, ou por o quererem tanto que cometem uma loucura. 

 

Se A Luz Entre Oceanos é demasiado melodramático? Talvez. Talvez existam demasiados momentos de intimidade, de lágrimas e desespero, que podiam ser encurtados. A própria montanha-russa de emoções talvez pudesse ter menos voltas. 

 

Mas vamos ser honestos: é uma história de amor, em que o drama é protagonista. É isso que estamos à espera, é isso que nos propomos a ver. É isso que este filme nos traz… e talvez algumas lágrimas. Isso pode ser de mim.

 

***

ZOOM IN: Porque é que alguns filmes só estreiam daqui a 5 anos?

Já perceberam que a Marvel tem confirmadas as estreias de filmes até 2021? E que a Disney já anunciou que alguns dos seus filmes estreiam algures em 2018 e 2019?

 

É uma nova tendência entre os grandes estúdios: marcar nas agendas o lançamento de filmes muito importantes com anos de antecedência, para que mais ninguém se ponha à frente da sua grande estreia!

 

Não, nem sempre foi assim. Em tempos antigos (que é como quem diz, há uns anos, não muitos), os filmes eram filmados, editados e os títulos escolhidos, e só depois era agendado o lançamento. Era escolhida a data, tendo com conta os objetivos de cada estúdio - o timing sempre existiu, ou acham estranho que próximo do Dia dos Namorados estreiem sempre mais comédias românticas?

 

Não é por acaso. Existem fins de semana de abertura que, estatisticamente, estão comprovados que geram mais receita de bilheteira em alguns géneros. Outros momentos do ano podem funcionar com qualquer título, independentemente do género. 

 

O que acontece atualmente é que as próprias produções mudaram. As datas são escolhidas para filmes que ainda nem sequer têm nome, mas as produções são também muito mais demoradas e caras. Um grande blockbuster consegue facilmente custar perto dos 200 milhões de dólares, e sendo o Cinema um negócio, é natural que os estúdios queiram recuperar esse investimento. 

 

Escolher uma data de estreia com antecedência é uma das formas de o fazer. 

 

Brie Larson vai ser a estrela de Captain Marvel, com estreia marcada para 8 de março de 2019! 

 

Adeus, concorrência

 

Todos nós já passámos por isso: temos três filmes que queremos mesmo ver a estrear no mesmo dia. A carteira não estica, por isso acabamos por ver apenas um deles na sala, e esperamos que seja exibido na TV (cof cof) para assistir aos restantes. 

 

Para quem faz um investimento de milhões, isto não é bom. Apesar de não estar provado se a estreia de grandes filmes ao mesmo tempo influencia os resultados nas bilheteiras, a verdade é que nenhum estúdio quer correr esse risco, e prefere a “exclusividade.”

 

O que optam então por fazer é avisar a concorrência. Dizem alto e bom som que aquele fim-de-semana é seu, e que não vale a pena estrearem outros grandes títulos naquela altura, porque vão perder audiência. 

 

E quem perde audiência, perde bilhetes vendidos, e perde retorno de investimento. 

 

O esforço do Marketing

 

Saber de antemão quando é que os filmes vão estrear dá outra vantagem aos grandes estúdios: conseguem planear com tempo e cabeça as estratégias de marketing que vão permitir dar a conhecer cada um dos seus filmes. 

 

O marketing tem desempenhado um papel cada vez mais importante durante o lançamento de um filme de grande orçamento - ou melhor, de qualquer orçamento. Depois da vitória de Deadpool, que foi um sucesso mesmo com um orçamento mais diminuto, muitos lhe viram o exemplo: uma boa estratégia pode levar mais público às salas. 

 

Toy Story 4 vai estrear em 2019, e Os Incríveis 2 em 2018. 

 

Já imaginaram o que é ter anos para conseguir planear um lançamento? Amigos, enquanto “pseudo” conhecedora do que é trabalhar em marketing, digo-vos que é uma benção. Mesmo que mudem os hábitos ou as culturas, existem sempre algumas questões que podem ficar logo delineadas. 

 

Para alguém que quer recuperar um investimento de 200 milhões de dólares… Sim, é uma boa ideia. 

 

E os prémios?

 

Mas nem sempre as datas de estreia são apenas influenciadas pelos retornos dos grandes estúdios. Apesar de essa ser a grande tendência (agendar com anos de antecedências as datas de estreia), outros filmes estreiam em alturas específicas para ficarem na memória. 

 

Não só na minha memória, ou na memória daqueles que o veem; mas na memória dos jurados e membros das academias com poder para entregar prémios. 

 

Alguma vez se perguntaram porque é que a maioria dos filmes nomeados para os Óscares só estreiam em Portugal lá para a fevereiro - tanto que, às vezes, nem os conseguimos ver nas salas? Porque estrearam nos Estados Unidos mesmo mesmo no final do ano. 

 

Martin Scorsese fez isso mesmo com Silêncio, o seu novo filme. Quis que estreasse mesmo no final de 2016 para ainda ser considerado nos prémios de 2017. Muitos estúdios preferem lançar os filmes mais para o final do ano também com esse propósito - ficam mais facilmente na memória dos jurados. 

 

Se alguma coisa disto é verdade? Não há nenhum estudo que o comprove, mas todos os que tentaram perceber a questão tiraram as mesmas conclusões, incluindo eu. A verdade é que a escolha da data de estreia de um filme sempre teve a ver com timing, com lucros e com datas que possam ser mais ou menos vantajosas. 

 

O negócio tornou-se tão mais lucrativo nos últimos anos, que todos os pormenores contam. E as datas são um desses pormenores. Nada é deixado ao acaso…

Gostas de Cinema? Só vês filmes intelectuais, não é?

Malta, vamos lá esclarecer uma coisa: nem todos os que gostam de Cinema são críticos do Público, que desprezam um bom blockbuster de verão e preferem aqueles filmes que nunca chegam às salas, e raramente alguém vê.

 

Atenção, nada contra os filmes que ninguém conhece. Se bem se lembram, na minha curta e descontraída lista dos meus melhores de 2016, coloquei um filme que deve ter passado ao lado de muita gente. Não lhes tiro valor. Porém, não é por gostar de Cinema e de ter um blog sobre o mesmo que vou achar que os filmes independentes são a última bolacha do pacote. 

 

É uma ideia pré-concebida, e muitas vezes errada. Vejam o meu pai: acredita piamente que todos os filmes que eu vejo são para “intelectuais” - vulgo, aqueles filmes em que temos mesmo de pensar, e normalmente somos nós os responsáveis por juntar todas as peças do puzzle. Se queremos um filme para ver em família, podem ter a certeza que não serei eu a escolher, porque ele acha que vai adormecer ao fim de dois minutos. 

 

Não podia estar mais errado. Porque ponham a dar um Rocky, um Armaggedon, ou até um Dia da Independência, e eu vejo com o mesmo prazer que a assisto a The Revenant, Interstellar ou o recente Animais Noturnos. Aliás, eu já vos disse que um dos filmes do meu coração é You’ve Got Mail, certo? O que é que esse filme tem de especial?

 

Só uma história que me toca ao coração. 

 

O meu amor pelo Cinema não tem nada a ver com dúvidas existenciais, ou problemas filosóficos; não tem nada a ver com planos e cenários avant gard. Tem a ver com histórias, pessoas, aventuras e desventuras. 

 

O que me faz gostar tanto de Cinema é a possibilidade de viajar, de conhecer outras vivências, e de conseguir ser transportada para outro tempo e lugar. E isso pode acontecer nos Vingadores, ou  em Amor, de Michael Haneke (que ainda hoje me faz chorar só de pensar nele). 

 

Eu gosto de Cinema pelo prazer de ver um filme, e de refletir sobre tudo aquilo que me faz sentir - seja felicidade, tristeza, surpresa ou até asco. É natural que existam filmes que não me fazem sentir nada, e esses, por norma, são aqueles que não recomendo. 

 

Não preciso que todos os filmes que vejo mudem a minha vida, nem que ganhem um lugar no meu pódio. Só preciso que sejam interessantes. 

 

Por isso não, não vejo só filmes intelectuais. Vejo de tudo, porque só conhecendo de tudo é que percebemos aquilo de que gostamos, e aquilo que faz a diferença nas nossas vidas. O Dia da Independência é mais importante para mim num domingo à tarde do que qualquer filme do Manoel  D’Oliveira; simplesmente, não aprecio. 

 

Vamos todos ver o que gostamos, sim?

Os melhores de 2016… desconstruídos

Chegámos aquele dia do ano em que fazemos os balanços de tudo o que 2016 teve para nos dar… e tirar. Vemos quais foram os melhores e os piores, falamos sobre aquilo que mais gostámos, lançamos veneno por cima de tudo o que detestámos.

 

Isso é tudo muito bonito - não tivesse eu a memória de um peixinho dourado, e tivesse de consultar 30 listas dos filmes lançados este ano para conseguir descobrir aqueles de que gostei mais ou não. 

 

Mais do que isso, eu tenho o terrível problema de querer tentar ver todos os filmes que saem, e depois nunca conseguir chegar à metade. Por norma, vejo aqueles que consigo no cinema, e vou tentando ver os restantes em casa (tudo de forma legar, cof cof). 

 

Fazer listas e balanços é complicado para mim - não porque não sei avaliar os filmes, mas simplesmente porque não os vi a todos. E custa-me fazer uma lista, sabendo que se calhar vou deixar de fora alguns filmes mesmo muuuuuuito bons. 

 

Por isso, vamos fazer a coisa de forma diferente. Neste segundo dia de 2017, vou falar sobre os filmes que mais mexeram comigo até agora, e que vou levar para 2017. Quando chegar a award season… Bem, aí fazemos todo um regime de melhores e piores, combinado? Combinado!

 

  1. Um filme que quase ninguém conhece - Captain Fantastic

 

 

 

Conheci este filme por acaso, e por acaso e apaixonei. Protagonizado por Viggo Mortensen, conta a história de um pai de seis crianças que vivem isoladas da sociedade, e são educadas num forte regime intelectual e físico. Mas a morte da sua mãe obriga-as a ter de lidar com o mundo real, e é aí que o próprio pai tem de enfrentar os seus ideais. 

 

É tão simples, e foca temas tão interessantes, que é impossível não adorar. Cada uma das seis crianças (bem, algumas delas não são propriamente crianças) têm prestações de fazer corar muitos adultos, e há muito que não via Mortensen tão bem. 

 

Simplesmente, é daqueles filmes bonitos, que dá vontade de ver e ver, e continuar a ver, sem parar. Magia!

 

2. Um filme de comédia - Deadpool

 

 

 

Era impossível não ter Deadpool nesta lista. Para mim, foi uma das maiores surpresas do ano, e um dos melhores filmes de comédia do ano - se não o melhor. Há super-heróis, há humor, há uma bonita história de amor, e bolas, há um Ryan Reynolds no seu melhor. 

 

O que atraiu tanta gente para Deadpool foi a sua capacidade de conseguir gozar com toda a gente, sem que fosse ofensivo. É uma linha ténue, mas aqui muito bem conseguida. Além disso, damos tantas gargalhadas que é perfeito para qualquer momento. 

 

Vejam. Por favor. 

 

3. Um filme que mostra que vivemos num mundo de bosta - Snowden

 

 

 

A história de Edward Snowden é conhecida em todo o mundo: o norte-americano que roubou informações à NSA e disse a todo o mundo que os Estados Unidos andam a ouvir as chamadas e ler as mensagens de quem querem. Agora, vive na Rússia como refugiado, mas aquilo que nos disse sobre o seu país continua a atormentar muitos sonos. 

 

Há um ótimo documentário sobre a sua história, mas no campo das histórias verídicas, este é um dos melhores do ano. A participação de Snowden é notória na forma como a história é contada, e o melhor é que ficamos com uma ideia muito completa do homem, e do porquê de ter feito o que fez - basicamente, expôr um dos maiores segredos da segurança nacional norte-americana. 

 

Além disso, a forma como Joseph Gordon-Levitt consegue mudar o sotaque de filme para filme… Priceless!

 

4. Um filme que nos fez regressar a um lugar feliz - Rogue One - Uma História de Star Wars

 

 

 

Nisto de sequelas, prequelas, reboots e remakes, este foi definitivamente o filme que marcou este ano. Não porque foi mesmo um time muito bom, mas também porque nos mostrou um lado diferente do universo de Star Wars. 

 

É mesmo um filme muito bem construído, e é ótimo conseguir perceber finalmente como é que tudo começou. Porque, se vamos a ver, este é o filme que dá o mote para o mítico Episódio IV, que durante tantos anos perseguiu imaginações e infâncias. E está tão bem feito que consegue transportar-nos até ao passado, sem nos fazer sair do presente. 

 

5. Um filme de super-heróis - Doutor Estranho

 

 

 

O ano foi propício aos super-heróis: tivemos Batman e Super-Homem, X-Men, um surpreendente Deadpool… Mas de entre todos eles, aquele que merece destaque (além do Deadpool, que já destaquei em cima) é, sem dúvida, Doutor Estranho. 

 

E atenção, não é comum eu preferir um filme Marvel a um herói DC (sobretudo quando esse herói é o Super-Homem). No entanto, Doutor Estranho tinha um argumento do camandro, e conseguiu juntar tantas boas prestações, que tinha tudo para dar certo. 

 

Há muito tempo que não gostava tanto de um filme da Marvel. Dentro do género, foi uma das surpresas do ano.

 

6. Um filme de guerra - O Herói de Hacksaw Ridge

 

 

 

Os filmes de guerra são todos iguais - isto é o que a maioria das pessoas pensa. Têm tiros, têm mortos, têm caos e coisas a ir pelo ar. Bem, verdade. Porém, se há coisa que ficámos a saber em 2016 é que há filmes de guerra… e depois existes os filmes de guerra realizados por Mel Gibson, e protagonizados por Andrew Garfield. 

 

Como disse na crítica ao filme, é fantástica a forma como Gibson consegue ser tão cru nos seus filmes. Não há dúvida de que O Herói de Hacksaw Ridge não só nos dá a conhecer uma história do caraças, como o faz de forma quase perfeita. 

 

Quase, porque coisas perfeitas existem poucas. Mas não há como ficar indiferente à forma como somos levados pela ação. 

 

7. Um filme que faz dizer “foda-se” - Animais Noturnos

 

 

 

Por momentos, achei que nesta categoria se enquadrava bem um filme de terror. Mas depois de pensar um pouco, não houve filme que me fizesse ficar tantas vezes de boca aberta como este Animais Noturnos. Foi o último filme visto em 2016, e com certeza um daqueles que vai ficar na memória. 

 

Não há como negar que a grande mestria vem de Tom Ford, que realiza e assina o argumento deste filme. Talvez por isso esteja tão bom: ele sabe exatamente para onde seguir com a história, e de lhe dar a melhor finalização. 

 

Disse em cima que poucas são as coisas perfeitas que existem. Animais Noturnos pode não ser perfeito, mas está muito próximo disso. 

 

 

Um filme de animação - À Procura de Dory

 

 

 

Talvez não seja o melhor do ano. Talvez este ano tenhamos tido ótimos filmes de animação que nos prenderam ao ecrã. Mesmo assim, era impossível não escolher À Procura de Dory, sobretudo porque vejo o Cinema como uma forma de crescimento. E se há filme que marcou, foi À Procura de Nemo. 

 

Foi um regresso a um sítio feliz. Se bem que a magia não era a mesma, havia muito do que tínhamos adorado no primeiro filme - e claro, a Dory, a importância da família e amigos, e todos os sentimentos do mundo. 

 

 

É bonito conseguirmos regressar onde somos felizes. Também é bonito olharmos para trás, e percebermos que todos os anos temos filmes que mexem connosco, e que nos fazem continuar a adorar esta arte. 

 

Para todos os que estão a ler, espero mesmo que 2017 seja um ano em grande. Eu cá estarei, sempre com o Cinema ao meu lado. 

 

Bleed for this - A Força de um Campeão (2016): a vitória da força de vontade

Sinopse: Vinny Pazienza (Miles Teller) é um pugilista promissor no mundo do boxe. Quando começa a treinar com Kevin Rooney (Aaron Eckhart), ganha uma nova esperança, e acaba por se tornar campeão do mundo. Mas um acidente de carro obriga-o a parar durante seis meses, e a usar um halo. Quando todos achavam que nunca mais iria combater, ele treina para provar o quão estão enganados. 

 

 

Existem filmes que, por muito que sejam elogiados ou que tenham boas críticas, acabamos por não dar nada por eles. Ahhh não são o nosso género, não estou a ver nada de promissor, acho que não vou gostar. Para mim, Bleed For This foi um desses casos. Apesar de ter achado interessante a história, e de ser fã de Miles Teller desde Whiplash, não fazia questão de correr para o cinema. O destino trocou-me as voltas, e ontem lá fui à estreia. Sem arrependimentos. 

 

Deparei-me com um filme muito bem pensado e realizado, e uma história de força e coragem. Não significa que seja mais ou menos importante do que todas as outras que já apareceram no grande ecrã; é apenas diferente, e o facto de ser uma história verídica dá-lhe uma outra atmosfera. 

 

Sejamos honestos: não deve ser fácil atingir o pico de uma carreira, para dias depois perder tudo - sobretudo quando ninguém mostra esperanças em recuperar, e todos os riscos são apostas num futuro incerto. Vinny ficou totalmente imobilizado do pescoço para cima, e se há uma zona do corpo mais sensível na sua profissão, é o pescoço. Tanto que, mesmo depois de recuperado, ninguém aceitava lutar contra ele, com medo de que voltasse para o hospital, e os danos fossem ainda maiores.

 

Naturalmente que isso já aconteceu com tantas outras pessoas, e em tantas outras histórias. Porém, o que o realizador Ben Younger conseguiu fazer em Bleed For This foi fazer um filme de boxe sobre uma batalha fora do ringue, e não dentro. Aliás, numa entrevista ao IndieWire, o realizador afirmou que quis fazer um filme de boxe que agradasse aos que não gostam de boxe. 

 

Aaron Eckhart no papel de Kevin Rooney, outra das surpresas deste Bleed For This.

 

Se era esse o seu objetivo… missão cumprida! Os pormenores de construção da história, a forma como mostra os acontecimento, os momentos de caos intercalados pelos silêncio… Tudo nos leva a acreditar que o boxe é apenas uma parte da vida de Vinny, e que o importante é de facto a sua recuperação e luta. E força de vontade não lhe faltou ao longo do ano e meio que teve de recuperar, depois de ter tido o acidente.

 

A vida dá, de facto, muitas voltas. Miles Teller pode ser um dos felizardos a dizê-lo. Depois de duas prestações tão elogiadas (em 2013, com The Spectacular Now, e Whiplash em 2014, fora outros projetos), Teller tem mostrado toda a sua versatilidade de talento em cada projeto. Bleed For This é prova disso mesmo, e arrisco-me a dizer que a sua prestação é uma das melhores coisas do filme. 

 

Não significa que seja fantastica, ou digna de Óscar, mas tem o mais importante: Teller capta tudo o que é tão característico em Vinny, e tenta transportá-lo para aqui. Mais, a sua prestação é também física, e muito própria; ele dá cada pedaço de si para conseguir uma boa prestação, e isso nota-se a cada segundo. 

 

Eu sou fã de Teller, e acho que um filme como Bleed For This era o que faltava para mostrar que é um dos jovens talentos de Hollywood com muito ainda para mostrar. Ainda bem, porque precisamos de sangue novo!

 

 

Bleed For This era aquela lufada que precisávamos para terminar o ano. Não porque se trate de um filme genial; não é, é apenas competente na missão a que se propõe. Claro que existem filmes muito piores no género, e este insere-se numa categoria diferente dos restantes filmes de boxe. Porém, é ótimo para passar um bom bocado, sem choradeiras, problemas filosóficos ou grandes planos artísticos. 

 

Por vezes, é só isso que precisamos quando vamos ao cinema: um filme competente, que nos deixe presos na história, e com o qual fiquemos impressionados. 

 

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