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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Animais Noturnos (2016): quando a Moda vira Cinema

Sinopse: Susan (Amy Adams) é dona de uma galeria de arte, e sente que não vive uma vida feliz. Um dia, recebe do ex-marido Edward (Jake Gyllenhaal) o seu novo romance, que a atormenta quando percebe que pode ser uma vingança simbólica ao fim da sua relação. 

 

 

Não seria de esperar que um designer de moda pudesse tornar-se um realizador e cinéfilo de excelência. Mas se Tom Ford conseguiu provar alguma coisa em 2009, quando apresentou o seu primeiro filme Um Homem Singular, foi que é possível. Com a estreia de Animais Noturnos ficou provado que o senhor faz filmes como faz fatos: de forma clássica, e totalmente única. 

 

Animais Noturnos não é uma história fácil - nem o é a forma como Ford costuma realizar os seus filmes. Os seus filmes têm uma estética muito própria, em que o cenário, as cores, as posturas dos atores e as suas expressões têm um papel tão importante quanto as palavras. Desta vez, ao adaptar para cinema o romance de Austin Wright, Tony & Susan, pegou numa história de violência, vingança e, sobretudo, de regresso ao passado, que nos faz questionar as nossas ações, e nos mostra como estas influenciam o nosso futuro. 

 

Não é um filme para todos, não por não ser acessível a todos, mas porque o seu estilo foge muitas vezes ao que muitos procuram no Cinema. Em conversa com a minha melhor amiga, percebi exatamente isso: Animais Noturnos não é um filme com o qual nos entretemos, mas que nos faz pensar, e nos obriga a ligar as peças do puzzle. 

 

Eu gosto disso, e foi uma das coisas que mais adorei neste filme. Ao longo da ação temos três linhas narrativas que se cruzam e nos fazem perceber a história de Susan: temos o seu presente, envolvido no luxo e superficialidade da vida de Los Angeles, e extremamente infeliz; temos o seu passado, de romance, traição e decisões das quais se arrepende; e temos o romance de Edward, um livro chamado Nocturnal Animals sobre a violenta história de um homem que perde a mulher e a filha, e começa uma viagem de procura de justiça. 

 

 

O melhor é que cada uma das linhas se completa, e nunca se sobrepõe estética e conceptualmente. Ford consegue passar de uma para a outra sem causar confusão ou ilusão, e existem sempre pormenores que nos mostram exatamente em que dimensão estamos. Além disso, é este paralelismo tão bem montado que nos faz perceber a história de Susan.

 

Revela-se uma história pesada, e também ela muito violenta. É interessante perceber como é que a arte, que faz parte da sua vida, se torna a antítese daquilo que tanto gosta e anseia. Da mesma forma, ao ver a sua viagem pelas suas ações, vamos também questionando como é que as suas decisões a fizeram chegar a um ponto tão infeliz. 

 

Tudo para acabar a confrontar-se com tudo isto, todas as decisões e questões. Edward, que escreve Nocturnal Animals e, na cabeça de Susan, também o protagoniza (não é ele que, a dada altura, lhe explica que os escritores escrevem sempre sobre eles próprios?), apresenta-lhe um espelho, ou uma vingança, da forma tão subtil que é quase poética. As palavras que lê confrontam-na, e é atormentada, não só pela ação do livro, mas pelo seu próprio passado.

 

E o melhor é que vemos tudo a acontecer à nossa frente. Não há um único ator que não desempenhe o seu papel com uma força e expressão extraordinárias. Não só Amy Adams, com uma postura irrepreensível, mas Gyllenhaal, que desempenha dois papéis tão diferentes, e tão completos. 

 

Mesmo com tão boas prestações (acho que Michael Shannon, com o seu sotaque texano, faz qualquer coisa bem), há uma que me surpreendeu imenso: Aaron Taylor-Johnson. Taylor-Johnson interpreta Ray, o cabecilha do crime do romance de Edward, de uma forma tão sádica e penetrante que quase acreditamos na sua maldade. Há mais do que interpretação de palavras; há uma expressão corporal, uma face, pormenores e olhares que fazem a diferença e nos fazem pensar que sim, estamos perante um violento criminoso. 

 

 

Quando estamos a ver um filme tão bem construído como este, é bom ver que as próprias personagens têm esse “tratamento”. 

 

Ford, de facto, não deixa nada ao acaso. Cada cena está pensada, cada pormenor tem um significado. Desde a primeira à última cena, tudo faz sentido, e tudo tem uma razão de ser. Não existem pontas soltas, nem uma cena que existe só porque sim. Foi o que gostámos tanto em Um Homem Singular, e o que faz deste Animais Noturnos um dos melhores filmes do ano. 

 

Porque eu não tenho dúvidas que assim o seja. Há poucas obras-primas que mexem connosco desta forma, e de uma maneira muito estranha e subtil, este mexeu comigo. Talvez seja a sua violência, as suas interpretações ou apenas a poesia com que foi criado. Mas este vai marcar 2016, não pelas suas mortes, mas pela sua forma única de ter sido dirigido. 

 

É bom que o Tom Ford não se dedique muito aos fatos, porque ficar mais sete anos sem um filme dele vai ser complicado de lidar…

 

*****

Que a Força esteja contigo, Carrie

Foda-se. É só o que me apetece dizer. Foda-se.

 

2016 foi um ano bestial. Não, não foi muita bom - foi uma besta, mesmo. Foi uma besta, este 2016, que agora nos levou a Princesa Leia.

 

 

Desde que tenho idade para tomar atenção a estas coisas, que não me lembro de ver tantas estrelas a morrer no mesmo ano. Por isso, este só pode ser um ano em que os planetas estão alinhados, ou demasiado desalinhados, ou o que quer que seja para nos levar tanta gente boa: David Bowie, Prince, Leonard Cohen, Alan Rickman, Nicolau Breyner, George Michael e, agora, Carrie Fisher. Mas tu nunca mais acabas, 2016? 

 

Na última sexta-feira, dia 23, o meu coração ia parando um pouco: foi noticiado que Carrie Fisher tinha sido assistida a um ataque cardíaco durante um voo. A atriz ficou internada, e até houve melhorias nos últimos dias. Se contar isto ao meu pai, já sei o que ele me diz: “são as melhoras da morte…”

 

É estranho como a morte de um artista, que nunca conhecemos e está tão distante, nos pode agitar desta forma. Já o tinha dito aquando da morte de Alan Rickman, que me tocou profundamente. Agora, saber que a Leia já não está entre nós, parece que esse sentimento regressou. 

 

A verdade é que não me lembro de ver Carrie Fisher noutros filmes ou séries além de Star Wars. Sei que fez mais uns quantos, e até tem uma filmografia composta, mas para mim será sempre Leia Organa, a figura mais corajosa e destemida entre homens e mulheres deste Universo. 

 

Ela lutou contra um dos maiores vilões da história do Cinema e viveu para contar a história. Ela liderou uma revolução, viu todo o seu planeta a desaparecer à frente dos seus olhos, e continuou com força para seguir em frente. Ela teve um filho que é uma pequena besta, e continua ali, a liderar a luta, sem baixar os braços. E tudo isto sendo uma mulher linda, apaixonada, e sem perder nada do que a torna feminina. 

 

Mesmo que tudo isto tenha acontecido num filme, não faz com que tenha menos significado. Para mim, Carrie Fisher sempre foi a personificação desta força de vontade e sentimento, do empowerment feminino. Era a sua voz e a sua face aquela que me fazia ver que todas nós conseguimos alcançar tudo aquilo que queremos.

 

Assistir a Star Wars pela primeira vez e ver a sua Princesa Leia foi mágico. Regressar, e ver como nada mudou em O Despertar da Força, foi a confirmação de que esta força não morre, e esta luta continua. 

 

Com Carrie Fisher, vai ser a mesma coisa. Apesar da personificação de Leia já não estar entre nós, a sua mensagem vai continuar. Vamos continuar a rever cada um dos filmes e a sentir a mesma vontade de ir mais além; vamos continuar a ouvir as suas palavras e a pensar que poucas mulheres existem com tantos tomates; vamos continuar a torcer pelo sucesso da sua luta, e da sua história de amor. 

 

 

E o que significa para o futuro de Star Wars? Não sei… Mas isso será uma preocupação para mais tarde. Agora, acho que vou rever cada um dos filmes originais. 

 

Carrie, que a Força esteja contigo. Revoluciona aí esse lugar como só tu sabes, e acredita: foi um prazer lutar ao teu lado.

REWIND: o mês em que estreou Filadélfia

Dezembro é um mês importante. É o mês de celebrar a família, a paz e o amor; é o mês de recordar um ano, e estabelecer objetivos para o que aí vem; e é um mês para nos sentirmos gratos por toda a nossa felicidade. 

 

Para muitos, é também um mês de sensibilização. É a 1 de dezembro que se celebra o Dia Mundial da Luta Contra a SIDA, com o propósito de lutar contra a descriminação daqueles que vivem com o vírus HIV, e promover o seu estudo e direitos. 

 

Coincidência ou não, foi também em dezembro que foi lançado, em 1993, um dos filmes que mais abalou o mundo no que toca à SIDA e HIV nos anos 90: Filadélfia, protagonizado por Tom Hanks e Denzel Washington. A história, simples como é, foi polémica: Hanks interpretava Andrew Beckett, um advogado que processa a sua antiga firma porque foi despedido quando se descobriu que tinha SIDA. Para o defender contrata Joe Miller, um advogado negro e homofóbico.

 

Um filme com esta temático, em pleno anos 90, foi um risco. A mentalidade não era tão aberta quanto o é hoje (ou melhor, ainda menos). A SIDA começava a ser um assunto conhecido e falado um pouco por todo o mundo. Em Portugal, António Variações morria em 1984 naquele que seria o primeiro caso conhecido no país; em 88, foi celebrado o primeiro Dia Mundial Contra a SIDA; em 1991, Freddy Mercury morria de SIDA, depois de anos a especular se teria ou não o vírus do HIV. 

 

 

Filadélfia veio despertar as mentalidades. Não só porque falava da SIDA enquanto doença que pode ser evitada, e é tão perigosa como tantas outras, mas também porque queria desmistificar uma das crenças mais associadas a este vírus: não, o HIV não é um vírus que afeta apenas homossexuais. 

 

Penso que, ao longo de todo o filme, esta possa ser uma das mensagens mais importantes. Não nos podemos esquecer que, durante muito tempo, o HIV foi quase a lepra do século XX: se eras homossexual, de certeza que ias apanhar o vírus mais cedo ou mais tarde. 

 

Filadélfia veio explicar um pouco de como é que acontece, mas que não é algo exclusivo. Para isso, foi muito importante ter um argumento muito bem desenvolvido, e atores que pegaram nas suas personagens e deram tudo o que tinham.

 

Tom Hanks faz uma viagem de advogado bem sucedido, a um homem debilitado e às portas da morte. Ao longo de um filme, consegue transmitir tantas emoções, que estamos numa verdadeira montanha-russa - e até lhe valeu o Óscar de Melhor Ator. 

 

 

Não é o único, mas é o mais poderoso. É claro que Denzel Washington faz uma viagem igualmente importante, passando de homofóbico a alguém que se sente próximo da causa de Beckett, e dos seus motivos.

 

Mas lá está: toda a construção mostra-nos que não, isto não é um problema só de homossexuais. É um problema de pessoas, que a qualquer momento podem contrair o vírus, e podem ficar doentes. O argumento tentou mostrar essa visão, e dar a conhecer outros casos tão importantes quanto o de Beckett. 

 

Se resultou ou não, isso é outra conversa. A verdade é que continuamos a viver num mundo em que a homofobia existe, e em que a SIDA continua a ser vista como um bicho papão. 

 

E é. É uma doença perigosa, que põe vidas em risco, e que mesmo com toda a informação e sensibilização, continua a existir. Em alguns países, violações e relações desprotegidas devido à falta de contraceptivos fazem com que os números de portadores de HIV continuem a aumentar. 

 

 

Desde 1993 e o lançamento de Filadélfia, muito mudou. As mentalidades mudaram, e talvez a doença tenha deixado de ser vista como uma sentença de morte para todos os homossexuais. Da mesma forma, os portadores do vírus HIV podem levar uma vida razoavelmente normal, comparado com o que acontecia há décadas atrás. 

 

A informação está em todo o lado. Abrimos o computador, ligamos o telemóvel ou o tablet, e temos acesso a estatísticas, dados, formas de evitar e tanto mais. Isso não acontecia em 1993. Tudo estava meio escondido, tudo era um pouco desconhecido. Filadélfia pode não ter sido o primeiro, ou o mais importante, mas marcou a diferença, e marcou o mês de dezembro de 1993. 

 

Hoje podemos fazer a diferença. E ainda bem.

5 filmes para assistir em família este Natal

É Natal, é Natal, la la la la la!!..

 

Chegou uma das minhas alturas preferidas do ano: o Natal! Tenho a felicidade de ter uma família grande, e por isso, o Natal sempre foi sinónimo de confusão, muito barulho, comida e doces. Conseguir estar com toda a gente, e ver tantos sorrisos à minha volta, aquece o meu coração como em poucas alturas. 

 

Por norma, anseio por esta noite ainda como se fosse uma criança. Mas em vez de esperar ansiosamente pela meia noite todos os anos, tenho-me concentrado mais no tempo que conseguimos passar uns com os outros nesse tempo. É altura de aproveitar, de estarmos juntos e fomentar laços. 

 

Nos últimos anos, entre jogos de PlayStation e família e algumas baboseiras, temos introduzido o Cinema na ceia de Natal. Patrocinados por um qualquer canal de TV, aproveitamos para assistir a um bom filme, antes de todos ficarem entusiasmados por abrir as prendas. 

 

É um ótimo plano, e com certeza existem mais famílias por aí que o fazem. Se a vossa é uma delas, e não sabem que filmes ver este ano, eu dou algumas sugestões. Preparados? Feliz Natal!

 

 

À Procura de Dory

 

 

 

Em 2003, o filme da Disney Pixar À Procura de Nemo encantou miúdos e graúdos. 13 anos depois, foi a vez de Dory se tornar uma das preferidas das famílias, na sequela que tanto esperámos. Desta vez, cabe a Marlin e Nemo ajudarem a sua amiga a encontrarem a sua família, perdida algures no oceano. 

 

Para as famílias com crianças, ou apenas para aquelas que não conseguem resistir a um bom filme de animação, é o tempo familiar de excelência. Vão com certeza rir, chorar, e o tempo vai passar muito mais facilmente. 

 

Harry Potter e a Pedra Filosofal

 

 

 

Para muitos, os filmes de Harry Potter tornaram-se um clássico de Natal. Qualquer um deles tem uma atmosfera tão mágica e quente, que se enquadra a perfeição com este período do ano. 

 

No entanto, nenhum deles tem a magia e o encanto do primeiro. Para mim, o primeiro filme dirigido por Chris Columbus não só é a introdução a todo este mundo, mas também o mais inocente e mágico. Os planos são tão calorosos, a magia está presente em cada cenário, e tudo parece muito mais encantado. 

 

Para os pais, assistir pela enésima vez a este filme pode não ser considerado o melhor plano para a ceia de Natal. Mas quem resiste a um jovem Daniel Radcliffe de óculos?

 

A Música no Coração

 

 

 

Nesta lista, tentei evitar alguns clássicos (não, não vão encontrar Sozinho em Casa ou Grinch). Porém, não consegui escapar a um dos meus clássicos do coração, e que a RTP insiste em relembrar todos os anos: Música no Coração.

Foi aqui a primeira vez que ouvi a voz de anjo de Julie Andrews, e que me apaixonei por musicais. Não há família que resista a um tempo de qualidade a assistir às aventuras dos Von Trapp. Os mais velhos relembram o passado, os mais novos tentam compreender a magia e beleza deste filme de que toda a gente gosta. 

 

Sim, toda a gente!

 

Gremlins

 

 

 

Como assim, o Gizmo não é a melhor prenda de Natal de sempre?! Para mim, não há melhor… sobretudo se ninguém o alimentar depois da meia noite. 

 

Gremlins é um dos meus filmes do coração. Adoro de morte, e é daqueles filmes que consegue juntar ação, humor, romance e magia numa só película. Além de completo, consegue entreter qualquer um, desde os pais que recordam as primeiras vezes que assistiram ao filme, aos filhos que assistem pela primeira vez e adoram. 

 

O facto de se passar no Natal torna-o ainda mais ideal para esta noite, em que a família e felicidade são os adjetivos a ter em conta. Querem filme mais alegre?

 

O Estranho Mundo de Jack

 

 

 

É um filme multifacetado, já que é ideal para ser recordado em duas das mais adoradas épocas do ano: o Halloween, e o Natal. 

 

Apesar de já ser considerado um clássico, não há melhor filme para descobrir o espírito do Natal. Tudo pela perspetiva de Jack, o Pumpkin King que descobre um mundo novo, cheio de magia, luzes e muito amor.

 

É um filme de Natal… bem, diferente. Mas o melhor é que a família pode juntar-se para descobrir o seu próprio espírito natalício, e tal como Jack, perceber o que realmente importa durante esta época. 

 

 

EXTRA

 

Não se esqueçam que, durante o dia 25, domingo, o canal Hollywood vai passar uma maratona de clássicos Disney. Cinderela, A Bela Adormecida, Bambi, Hércules… São alguns dos títulos que vão passar no canal, logo a partir das 10h50 da manhã. 

 

Se estiverem por casa, e quiserem um Natal repleto de infância e magia, sintonizem e sejam felizes. 

 

Um ótimo Natal para todos!

Passageiros (2016): quando as expectativas não são realidade

Sinopse: Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) são dois dos 5 mil passageiros da nave Avalon, com destino à colónia da Terra Heamstead II. Para chegar ao destino, têm de hibernar durante 120 anos, mas um erro no sistema faz com que as suas cápsulas abram 90 anos antes de chegarem ao destino. Só podem contar com eles mesmos, e terão de enfrentar um segredo que irá mudar a sua relação dentro da Avalon…

 

 

 

Nao é surpresa para ninguém que eu tinha grandes expectativas para este filme. Considerei-o um dos filmes a não perder até ao final do ano, e fiz um ou outro post dedicado a esta (suposta) obra-prima da ficção científica. Além do elenco, achei mais do que interessante esta ideia de duas pessoas ficarem totalmente isoladas do mundo, e terem de se resignar que, muito provavelmente, iam morrer sem falar com mais ninguém.

 

Pelo título deste texto, escusado será dizer que saí da sala de cinema com a sensação de que tinha sido traída; traída pelas promessas indiretas de que este seria um ótimo filme, e um exemplo para os filmes espaciais que estão para vir. Traída pelos meus atores de eleição, por um argumentista que me trouxe uma das melhores surpresas do ano (Jon Spaihts, com Doutor Estranho), e por todo o enredo que tinha muito mais para dar.

 

Porque o que me lixa é que, visualmente, Passageiros é um filme muito atrativo. Todo o cenário, se bem que muito limitado (não há muito que se possa inventar dentro de uma nave espacial, mesmo que seja de luxo), está tão bem construído que dá vontade de visitar. E claro, aquelas “paisagens” espaciais, os vislumbres que temos do espaço, são muito vivas e atrativas.

 

No entanto, pouco mais é atrativo em Passageiros. O que me deixou mais triste foi esta história com tanto potencial, mas que se torna previsível e muito “o que queremos são finais felizes”. Há o seu quê de diferente, o seu quê de inédito, e depois de muito de “eu já vi isto em praticamente todos os filmes de catástrofes.”

 

 

Faltou-me talvez um toque de surpresa. O grande segredo, que supostamente vai alterar toda a relação entre os dois protagonistas, é descoberto logo de início; mas isso nem é mau, porque introduz uma das questões mais interessantes do filme. Mas a meio começam a acontecer coisas que percebemos claramente que foram colocadas no argumento para lhes facilitar a vida, e ser meramente entretenimeto. E sensivelmente nesta altura, já temos perfeita noção de como irá acabar.

 

É uma pena… porque no geral, até não está mau. Morten Tyldum, o realizador de Passageiros (que foi nomeado para o Óscar de Melhor Realizador em 2014 por O Jogo da Imitação), consegue dar um toque diferente à ação, saltando entre planos de forma a dar-nos diferentes sensações. Tendo em conta que acontece algo novo em todos os momentos, é uma ótima forma de nos deixar interessados numa história que, 45 minutos depois de ter começado, já começa a cansar.

 

Da mesma forma, é claro que Lawrence e Pratt conseguem encher um ecrã com toda a sua classe e magia, e mesmo assim fazer-nos achar que é um elenco completo. Eles são atores completos, e tiram sempre o melhor de cada personagem.

 

Até porque as suas personagens são muito fortes. Ele um mecânico que quer encontrar um propósito num novo planeta, ela uma escritora à procura de algo inédito sobre o que escrever; encontram-se, e percebem que nunca estiveram tão acompanhados na sua vida. Os dois dão-nos um vislumbre da natureza humana, e em como somos sempre condicionados por aquilo que temos à nossa volta.

 

 

 

A sua relação é possivelmente o melhor do filme, e aquilo que nos faz gostar um pouco mais de Passageiros. Eles transmitem o amor, amizade e companheirismo que todos esperamos de uma história de amor, e fazem deste filme o testemunho em como sim, podemos mesmo encontrá-lo em todo o lado. São também eles que dão o toque humorístico muito bem-vindo, sobretudo quando estão juntos de Arthur, um robô humanóide interpretado por Michael Sheen que está encarregue de tomar conta do bar da Avalon.

 

Mesmo o segredo de que todos os trailers falam é muito interessante, e seria ótimo de ser explorado. Revela muito da natureza humana, e de facto faz-nos pensar e questionar sobre uma data de coisas importantes (que eu, para não estragar a surpresa, não vou falar aqui). No entanto, senti que os restantes acontecimentos acabaram por deixar isso como algo secundário, e perde importância. De súbito, há tanta coisa a acontecer, que nos esquecemos que tudo aquilo aconteceu.

 

Mas talvez o problema seja meu. Talvez estivesse à procura de algo mais Gravidade (amén Alfonso Cuáron), e menos Titanic. E como foi o Titanic que me surgiu à frente, deixei-me ficar desiludida.

 

Tenho ideia que é um filme que está a dividir as opiniões. Uns, como eu, sairam meio desapontados; outros estão a elogiá-lo pela sua história sobre a humanidade e desespero humanos.

 

Percebo ambos os pontos de vista. Saí da sala a pensar "meh", e conforme penso mais nele descubro algo um pouco mais interessante, e um pouco melhorzito. Ou seja, não é um filme que considere mau, ou das piores desiluções do ano. De facto, acho que todos os curiosos devem dar-lhe uma oportunidade, porque de certeza que vão sentir coisas diferentes e inéditas. Só fiquei com a sensação de que, aqueles que estavam muito entusiasmados, podem sair meio defraudados. 

 

Se lhe quiserem darem uma hipótese, mantenham só a mentalidade aberta. Cheguem sem expectativas, e quiçá serão surpreendidos. Cada um sabe de si...

 

**/2

Rogue One (2016): a nova história de Star Wars

Sinopse: Jyn Erso (Felicity Jones) recorda-se do dia em que o pai foi levado pelas tropas do Império. Desde então, tem sido uma fora da lei, até ser recrutada pela Aliança para descobrir os planos de uma arma que este estaria a construir. Afinal, trata-se da Estrela da Morte, e cabe a Jyn conseguir recuperar os seus planos, e salvar a galáxia. 

 

 

Desde o ano passado, com a estreia de O Despertar da Força, que o universo de Star Wars tem ganho mais adeptos, e mais histórias para contar. Aliás, histórias sempre houve: desde a estreia das prequelas que desenhos animados e novelas gráficas têm feito o dia de fase admiradores por esse mundo fora. 

 

Mesmo assim, o anúncio de que Rogue One estava a ser desenvolvido não deixou de causar alguma agitação. Será que vai valer a pena recuar no tempo, agora que estamos a viver no presente? Haverá mesmo uma história para contar, ou será mais um filme com a banda sonora e pouco mais a ver com o mundo que tanto conhecemos. 

 

Hoje, posso afirmar com toda a certeza que Rogue One faz jus ao universo em que está inserido, e é uma adenda e tanto à história que tanto adoramos. 

 

Cronologicamente, este filme encontra-se entre os episódios 3 e 4 - chamemos-lhe 3.5. Passa-se vários anos depois da ascensão do Império e de Darth Vader, e a força da Rebelião está no seu pico. Isto significa que, para manter a coerência, teria de manter um aspeto visual e história mais próximo da década de 70, do que propriamente o mundo atual. 

 

 

Apesar de notarmos que é um filme diferente daquele a que estamos habituados (é mais negro, com muito mais ação; no fundo, um campo de batalha), é impossível não notarmos alguns paralelismos. Alguns maneirismos de personagens importantes, os pormenores que não nos escapam, aquele pequeno toque de humor que sempre nos inspirou… Não haja dúvida: esta é mesmo uma história de Star Wars. 

 

Para os fãs, Rogue One são dois presentes num só filme: permite conhecer como é que afinal os rebeldes conseguiram os planos da Estrela da Morte (não digam que nunca se tinham perguntado?), e passar duas horas a procurar e encontrar detalhes que nos transportam mesmo para o tempo anterior ao episódio que nos introduziu a tudo. 

 

Tem o seu quê de poético. Gareth Edwards, o realizador escolhido para este spin-off, soube respeitar tão bem o legado que tem para trás que adoramos cada momento.

 

Mais do que isso, é muito equilibrado; consegue manter a dose certa entra a ação e a espionagem. É como se Edwards quisesse criar uma linha entre a história original e esta nova, não só ao nível da história, mas também visual e conceptualmente - e tendo em conta que ainda o ano passado assistimos ao que acontece anos e anos depois, ao menos ajuda-nos a não ficar muito baralhados. 

 

 

Tudo isto com a ajuda de personagens-tipo, que não deixaram de ser bens construídas, e de ter a sua importância ao longo do filme. Apesar de Jyn ser claramente o elo mais importante desta força, e de Felicity Jones conseguir dar-lhe o seu quê de coragem e ceticismo, está bem acompanhada. Forrester Whitaker tem um papel muito interessante, bem como Donnie Yen, e claro, Mads Mikkelsen (que aqui interpreta Galen Erso, o pai de Jyn) e aquele seu semblante clássico e misterioso que nunca nos deixam indiferentes. 

 

Tudo coisas boas, portanto. Até a banda sonora, que desta vez foi composta por Michael Giacchino, tem uns rasgos de inspiração nas músicas originais de John Williams. 

Vamos concluir dizendo que Rogue One é um pequeno rasgo de magia e poesia. Leva-nos numa viagem entre a nostalgia e os tempos modernos, com a tecnologia a desempenhar um importante papel.

 

E nós, fãs que ainda não saltinhos de felicidade quando ouvimos a voz do Darth Vader, saímos da sala de cinema com um sorriso nos lábios, e com a certeza de que vimos algo bem bom. 

 

Para o ano há mais - o Episódio VIII, para ser mais exata. Depois disso, um regresso ao passado com o spin-off sobre a juventude de Han Solo, e quiçá outro sobre Boba Fett. Bons anos para um fã de Star Wars estar vivo!

 

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TRAILER DA SEMANA: Dunkirk, o regresso de Christopher Nolan

Não é segredo para ninguém: Christopher Nolan é um dos meus realizadores atuais de eleição! Foi ele que conceptualizou Inception, um dos filmes do meu coração, e deu nova roupagem a um dos nossos super-heróis preferidos - isso mesmo, o homem morcego!

 

Nolan tem o condão de contar uma história de uma forma muito própria e única, e é isso que nos faz gosta tanto dele. Há atenção ao detalhe, há muito humanismo, e uma grande concentração. Por isso, saber que a sua nova aventura seria contar uma das mais famosas batalhas da II Guerra Mundial, causou alguma surpresa. 

 

O primeiro trailer de Dunkirk saiu finalmente, e podemos todos tirar algumas dúvidas.

 

 

 

Ao contrário do que acontece com a maioria dos filmes de Nolan até agora, Dunkirk é baseado numa história muito verídica. A ficção científica (sobretudo a exploração do desconhecido, à qual dos tinha habituado recentemente) fica completamente para trás ao contar a história de um grupo de soldados que teve de manter a esperança até ao fim.

 

O filme retrata a história verídica da Operação Dynamo, uma operação que pretendia resgatar soldados aliados na praia de Dunquerque, em França, para Inglaterra. Os soldados estavam encurralados por tropas alemãs, e eram constantemente bombardeados. Os corpos acumulavam-se, e a esperança diminuía. Cada um se agarrava ao que podia para conseguir ultrapassar o Canal da Mancha em segurança. 

 

Tem o quê de épico de que Nolan gosta, e aquele heroísmo de guerra que deixa qualquer público com o rabo colado à cadeira. Tem tudo para ser um crowd pleaser, e isso, como sabemos, tem tudo de bom, e de mau. 

 

Mas é Nolan, e eu tenho sempre esperança que o senhor nos surpreenda com algo de fantástico. Estou sobretudo curiosa com o facto e se ter aventurado em algo tão real, em que a liberdade criativa passa mais para a forma como a historia é contada, e não tanto pelo desencadear dos acontecimentos. 

 

Estou também curiosa para ver como se porta o elenco. Os habitues de Nolan estão presentes: Cillian Murphy e Tom Hardy, claro. Mark Rylance, Kenneth Branagh, Jack Lowden e, imagine-se, Harry Styles (sim, aquele miúdo de cabelo comprido dos One Direction) também participam. 

 

 

Além disso, o trailer não nos dá grandes pistas sobre o filme. Passa mais pelo lado heróico e épico, e não tanto pelo ambiente ou cenários. 

 

Porém, cá estaremos para ver. Gosto de trailers que não revelem toda a magia dos filmes, por isso vou assistir a este Dunkirk com uma mente aberta. Pena que só irá acontecer em julho de 2017. 

 

Será apenas mais um sucesso de verão?

Emma Stone como Cruella de Vil? #TudoDeBom

Sempre gostei de ruivas. Até cheguei a pintar o cabelo, só para conseguir ter aquele ar de mistério e sedução. Talvez porque tenha assistido a um Zombieland com uma jovem Emma Stone, e a partir daí cresceu um fraquinho por esta pessoa que continua até hoje. 

 

A Emma é uma das minhas atrizes de eleição. Ela é genuína, é forte, é daquelas mulheres simples mas cheias de carácter que nos faz ficar presos no seu olhar. De alguma forma, passa a dose certa de drama e simplicidade nos seus papéis, daí ficar com as expectativas no alto quando um novo filme surge com a sua participação. 

 

 

Um dos mais recentes é La La Land, aquele filme do qual tenho falado vezes sem conta, e que quero ver mais do que comer os novos Dunkin Donuts (que chegam a Portugal em 2017, pelo que dizem). E eu gosto muito de donuts. A crítica só me tem dado forças, ao considerar La La Land o melhor filme do ano, e ao nomeá-lo para o Globo de Ouro para Melhor Filme. 

 

Por isso, ter a confirmação de que Emma Stone será Cruella de Vil no cinema só pode trazer coisas boas!

 

A notícia chegou há alguns meses, mas pouco se sabia ainda sobre o projeto. Sabíamos apenas que seria um filme em imagem real, e que possivelmente nos traria a origem de uma das vilãs mais odiadas de sempre - quem é que tem a coragem de matar tantos cães lindos para fazer um casaco? 

 

Mas se antes não passava de um rumor que podia ser realidade, esta semana as dúvidas foram dissipadas quando um nome já foi adiantado para realizador. Alex Timbers está em conversações para ficar aos comandos, e todos sabemos que quando um realizador é encontrado, o mais provável é que o filme vá mesmo para a frente. 

 

Timbers pode não ter experiência em dirigir longas metragens do género, mas isso nunca impediu ninguém de fazer um bom trabalho. O seu trabalho no teatro e na série da Amazon Mozart In the Jungle tem sido reconhecido ao longo dos anos, por isso é sempre bom ver o que pode trazer a este filme. 

 

Por agora, o filme foi batizado de Cruella. Eu sei, eu sei: a última vez que a Disney quis fazer um live-action sobre uma vilã, e deu o seu nome ao filme, a coisa não correu bem. Em Maleficient, pouco conseguiu salvar a película, além da beleza e carisma de Angelina Jolie. 

 

 Glenn Close foi a primeira a interpretar a vilã no cinema, na adaptação live-action de 1996. E que bem que estava...

 

O medo de o que o mesmo aconteça com este Cruella existe, mas estou a tentar dar-lhe uma hipótese. Não posso perder a oportunidade de ver Emma Stone naquele tom altivo e muito confiante da vilã, sempre na moda e com muita força. Acho mesmo que lhe assenta como uma luva, e com tantas novidades, talvez aqui a Disney consiga redimir-se. 

 

Quando vai chegar até nós, isso já é outra conversa. Já ouvi falar sobre produções que demoraram dois anos a chegar às salas, depois de confirmada a equipa. Outros demoram muito menos tempo, se o trabalho de bastidores for bem feito. O ano de 2018 é um dos adiantados. Resta-nos esperar por mais pormenores.

Walt Disney: 65 anos de animação e amor

Juntamos duas palavras e todo um universo surge na nossa cabeça: Walt Disney. Assim que leram imaginaram o logo por cima de um fundo branco, com aquela música tão característica que tem feito parte das nossas vidas desde que sabemos o que é um filme. 

 

Não há como negar: sem Walt Disney, muito provavelmente não existiram muitos dos filmes que hoje guardamos com tanto carinho o coração. Nem toda uma indústria que nasceu com o seu imaginário, e com a sua vontade de ser maior, e de arriscar mesmo quando todos achavam que estava louco. 

 

Mas Walt Disney não era um louco. Era sim, dono de uma imaginação e ambição inigualáveis, que o fizeram ir mais longe, e ser dono do império que ainda hoje existe. 

 

 

Não que tenha sido fácil; por norma, nenhum caminho para o sucesso o é. Disney, além de ter sido despedido porque não tinha imaginação suficiente (LOL), fundou uma empresa que acabou por ir à falência, e perdeu os direitos de utilização de grande parte das suas primeiras criações. 

 

Como bom empreendedor que é (este senhor podia ter sido um dos oradores do Web Summit), não desistiu e trouxe-nos anos mais tarde a sua mais conhecida criação: o rato Mickey, e a curta-metragem Steambot Willie, que introduziu o som nas curtas animadas. O sucesso foi tal que a sua nova empresa nunca mais foi a mesma. 

 

O resto é história. No resto, houve longas-metragens de desenhos animados a cores e com som (quando todos achavam que era louco), Óscares da Academia, parques temáticos e filmes de imagem real que nos moldaram e ajudaram a crescer. 

 

A Disney sempre foi um mundo de magia. Lembro-me do momento em que pisei pela primeira vez a Disneyland Paris. Tinha 18 anos, mas facilmente me senti como uma criança. À minha volta tinha todos os cenários e personagens que tinham vivido na minha cabeça durante tanto tempo, e aquele ambiente mágico e inédito que nunca consegui encontrar noutro lugar. 

 

 

É um dom, este de conseguir arriscar e criar ao ponto de nos inundar a infância. Desde que Disney começou a fazer parte das nossas vidas, não há alma no mundo ocidental que não tenha visto um dos seus filmes, ou crescido com as suas criações. Este gosto passa de geração em geração, e pais e filhos juntam-se para assistir à magia. 

 

É um dom este de conseguir juntar tantas gerações.

 

As opiniões sobre Disney e os seus valores foram sendo questionados ao longo dos anos. Capitalista, anti-semita ou racista são alguns dos epítetos que lhe foram sido dados ao longo dos anos, se bem que negados pela sua família. Independentemente disso, não há ninguém que possa negar que moldou uma indústria.

 

A 15 de dezembro de 1966, 10 dias depois de ter celebrado o 65º aniversário, morreu por consequências de um cancro de pulmão. 65 anos cheios de animação, que nos deram tanto amor. Que legado inigualável!

 

TRAILER DA SEMANA: The Circle, um mundo sem privacidade

Podiamos passar uma vida inteira a falar das potencialidades da web, e dos seus perigos. De como a partilha de informação nos permite ficar mais próximos daqueles que estão longe, ou como a nossa vida na internet pode pôr em perigo a nossa privacidade e segurança. 

 

O Big Brother está a olhar por nós, não tanto nas câmaras espalhadas na rua, mas também (e principalmente) nas informações que voluntariamente partilhamos. 

 

Esta é a premissa de The Circle, um filme com Tom Hanks e Emma Watson, e que promete abalar a nossa opinião da web em 2017.

 

 

Seria de esperar que esta semana, o escolhido para esta rubrica fosse Spiderman: Homecoming, que fez a sua estreia na passada semana. Mas não. A verdade é que, depois de assistir ao trailer de The Circle, fiquei com uma imensa curiosidade de ver o filme - ou melhor, de ler o livro, para depois ver a sua adaptação.

 

The Circle é inspirado no romance de David Eggers, lançado em 2013. Conta a história de Mae Holland, uma jovem motivada (aqui interpretada por Watson) que começa a trabalhar na empresa de tecnologia The Circle. Esta empresa dedica-se a oferecer produtos tecnológicos em que a privacidade parece estar fora de questão. Câmaras que acompanham quem as usa diariamente, redes sociais e tanto mais são alguns dos serviços disponibilizados.

 

O que parecia um emprego de sonho, depressa começa a parecer algo muito pior...

 

Podia ser mais uma história sobre sonhos destruídos pela realidade, com um Tom Hanks a dar a conhecer o seu Steve Jobs interior (já que aqui interpreta a face da empresa), mas há algo mais. O facto de se tratar de uma empresa tecnológica, numa altura em que os vídeos ao vivo fazem parte do nosso quotidiano, vai com certeza faze-nos questionar sobre todo o mundo em que hoje nos inserimos.

 

Não vamos mentir: já não imaginamos as nossas vidas sem o acesso à internet e às redes sociais. São ótimas ferramentas para comunicarmos e nos relacionar-nos com os outros, mas isso não significa que tenha só e apenas coisas boas. Raras dádivas na vida são-nos dadas sem uma rasteira; a internet não é exceção.

 

The Circle atraiu-me, não só por achar que tem um argumento e elenco interessantes, como acredito que será importante para ficarmos cientes dos limites que temos de impôr nas nossas vidas. Porque somos nós que colocamos um limite na tecnologia, e não o contrário.

 

Em abril de 2017, cá estaremos para assistir a este pedaço de cinema. Mais alguém está curioso?

 

 

 

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