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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Vai haver um filme de Fruit Ninja. Sim, aquele jogo para o telemóvel

Achavam que estava a brincar? Mas ainda pensam que eu brinco com estas coisas?

 

Não, não estou a brincar. Esta semana não foi fácil, com notícias como estas a sugir. Mas já lá vamos. Comecemos pela parte em que foi anunciado uma adaptação para cinema de Fruit Ninja.

 

São infoexcluídos se não conhecerem Fuit Ninja, o jogo para smartphones em que têm de usar todas as vossas capacidades ninja para curtar fruta. De fora têm de ficar as bombas, e quanto mais fruta cortada, mais pontos. É só isto. Apenas isto.

 

Eu sei que passei muito tempo da minha vida a jogar Fruit Ninja. Eu sei que ainda tenho instalado no smartphone, não vá dar a saudade. O que eu não sei é o que é pode existir de interessante para fazer disto um filme.

 

 

Diz o Hollywood Reporter que a ideia foi da New Line Cinema, que comprou os direitos do videojogo. Um argumento já está a ser pensado por J.P. Lavin e Chad Damiani. A história também já é conhecida: o filme vai centrar-se num “grupo de jovens deslocados que são recrutados para se tornarem “ninjas da fruta” e salvarem o mundo.”

 

Faz todo o sentido, não é?

 

Não, não faz. E não estamos a falar de um filme de desenhados animados, que talvez tornasse tudo menos estranho. Este será um filme de imagem real, com pessoas, e creio eu com fruta verdadeira. Espero que não haja grande desperdício alimentar.

 

A confirmação de Fruit Ninja (pois os direitos foram adquiridos no início do ano) chega na semana em que o Facebook do Fui Ao Cinema mostrou a sua indignação por outras duas notícias: a possibilidade de existirem mais filmes da saga Crepúsculo, e, espante-se, um filme em imagem real de... O REI LEÃO!

 

Não sei o que se passa com Hollywood. Que queiram trazer de volta dos dramas de vampiros, e até criar um filme com pessoal a cortar fruta, tudo bem. Agora, há coisas em que não deviam mexer.

 

Um live-action de Rei Leão, mesmo realizado por Jon Favreau, é como se alguém quisesse fazer um remake de A Vida é Bela, ou Clube de Combate: já são geniais, não vamos estragar.

 

Não, esta semana não está a ser fácil...

TRAILER DA SEMANA: Coming Through the Rye

Hoje trazemos um trailer diferente. Se bem que a semana tenha sido marcada pelo lançamento do primeiro trailer de Passagers (protagozinado por Jennifer Lawrence e Chris Pratt), é Coming Through the Rye que ganha destaque por aqui. Porquê?

 

Porque não faço ideia do que vai sair daqui.

 

 

 

Coming Through the Rye conta a história de Jamie Schwartz, um jovem em 1969 Sadwithzobcecado por Holden Caufield. Caufield é o protagonista de Catcher in the Rye, o romance de J.D. Salinger considerado um clássico da literatura norte-americana.

 

Na sua demanda, Schwartz acaba por fugir do colégio para ir ter com o autor e falar sobre o que o livro o faz pensar. É o típico filme de descoberta adolescente, em que o protagonista se vê na descoberta de quem é.

 

Quando digo que não tenho ideia do que vai sair daqui, é porque isto não é bem uma adaptação de um livro, mas é sobre um livro. E um livro do qual não sou fã.

 

Apesar de ser um clássico da literatura, não gostei. Aliás, não gostei mesmo nada. Não percebi o porquê de ser tão falado, o porquê de ser tão elogiado, e o porquê de haver tanta gente a gostar do livro. A escrita não é assim tão boa, e a história é meio meh.

 

Mas mesmo assim, todos parecem achar que é o romance ideal para os jovens adolescentes. E Coming Through the Rye parece mostrar isso mesmo, com um jovem que se identifica com Caufield como nunca antes se tinha identificado com alguém.

 

 

Saber que esta história foi adaptada da vida de James Steven Sadwith, o realizador, dá-lhe algum interesse. Jamie é na verdade uma personificação de um jovem Sadwith, que como ele vivia obcecado com criação de Salinger.

 

Por isso, e apenas por isso, estou curiosa com Coming Through the Rye. Quero que este filme me ajude a perceber o fenómeno em volta deste livro, e compreender o que podem os jovens sentir ao lê-lo – algo que eu claramente não compreendi.

 

Só em outubro, possivelmente no final, é que vamos assistir a este filme. Chegará às salas portuguesas?

ZOOM IN: Quando Sean Penn nos mostrou O Lado Selvagem

Quem abriu este artigo a pensar que ia encontrar imagens menos próprias de Sean Penn, engane-se. Apesar dos vários rumores, este Lado Selvagem não tem nada a ver com a suposta propensão para a violência de Penn. Muito pelo contrário: mostra a sua perspetiva da história de Christopher McCandless que de selvagem pouco tem.

 

Não me recordo de quando assisti pela primeira vez a O Lado Selvagem, o primeiro filme realizado por Sean Penn, em 2007. Nem tão pouco me lembro o que me fez achar, à primeira vista, que não ia gostar da sua história. Hoje, sei que é uma das histórias mais humanas e profundas que já tive o prazer de assistir.

 

Vamos por partes: para aqueles que não conhecem, Christopher McCandless, o protagonista deste belo testemunho, existiu mesmo. Em 1990, depois de terminar os estudos, abdicou mesmo da maioria da sua fortuna para viajar pelo país. O seu objetivo era chegar ao Alasca, deixando para trás dos problemas terrenos, confortos e luxos. À sua frente estava uma vida na natureza.

 

 

McCandless não era um louco maníaco pela natureza que achava que devíamos viver no mato. Muito pelo contrário, era um homem dotado de inteligência, que encontrava pouco conforto na vida familiar; os problemas com a família levaram-no a acreditar que o isolamento o permitiria encontrar-se, e viver finalmente em paz.

 

É o que me faz regressar ao segundo parágrafo deste texto: é uma das histórias mais humanas que o cinema já teve o prazer de nos mostrar. Porque a conclusão de McCandless é simples: o isolamento não é a resposta; é juntos, com o amor e o respeito, que conseguimos ser verdadeiramente felizes.

 

O bom de O Lado Selvagem (inspirado no livro de Jon Krakauer com o mesmo nome) é que nos faz viajar com Chris, até ao momento em que chega a esta conclusão. Com ele percorremos os Estados Unidos, conhecemos pessoas com histórias e vivências diferentes, trabalhamos para conseguir sobreviver. Com ele, e com a mestria de Penn (e a belíssima interpretação de Emile Hirsh no papel principal), viajamos numa jornada que nos faz questionar a humanidade, e forma como olhamos para a vida.

 

 

É notável como, mesmo sem ser importante, nos questionamos tanto sobre quem somos, o que podemos oferecer ao mundo, e quem na verdade somos. Somos humanos, mas o que é que nos faz humanos? A capacidade de raciocinar? A ciência, em todas as suas formas? A capacidade de amar e respeitar o outro?

 

Histórias como a de Chris – que ao longo da sua viagem adotou o nome de Alexander Supertramp – são daquelas que nos levam por perguntas sem respostas. A sua jornada, quer queiramos quer não, torna-se a nossa jornada, e é incrível como as suas palavras e experiências nos fazem chegar à mesma conclusão.

 

Chris achava que conseguiria ser feliz longe da confusão que conhecera toda a vida. Para mim, morreu reconhecendo que se tinha enganado. O que temos de bom é precisamente o companheirismo e amor que, quando são bons e verdadeiros, nos tornam melhor e nos fazem ir mais longe. “A felicidade só é real quando é partilhada,” escreveu num dos seus diários.

 

 

Entre palavras e devaneios, quando assisti pela primeira vez a O Lado Selvagem, dei graças pela perspetiva de beleza que Sean Penn nos mostrava. Em vez do desespero dos desafios, da solidão e desespero, o que nos mostrou foi uma história de esperança e amor. E o que eu aprendi ao ver o filme, foi que o isolamento não é resposta para nada.

 

De vez em quando regresso a O Lado Selvagem para me recordar da sua mensagem. No mês em que o corpo de Chris foi encontrado no Alasca, já em estado de decomposição (são várias as teorias sobre o que o poderá ter matado, mas poucas as certezas. Krakauer escreveu um ótimo artigo sobre a morte de Chris que aconselho a ler), é altura de lembrar a sua história.

 

E de partilhar a felicidade.

Salsicha Party (2016): uma animação aleatória

Salsicha Party chegou para animar as hostes, e não podiamos deixar de dar-vos a conhecer tal pedaço de comédia aqui no canto.

 

A DeLorean já viu, e conta-vos tudo o que há para saber sobre este filme tão... aleatoriamente animado!

 

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Já ouviram falar de Shrek 2, Monsters vs. Aliens e Madagáscar 3? Apesar de todos bastante diferentes na história, o que os une é aquele toque de randomness, de loucura completamente vinda do nada que nos traz os momentos cinematográficos de que verdadeiramente nos lembramos.

 

 

 

O responsável? O realizador Conrad Vernon que, recentemente, se juntou a Greg Tiernan (realizador de praticamente tudo o que tenha a ver com Thomas e os seus Amigos - sim, aquele comboio assustador dos desenhos animados da RTP2) para trazer ao mundo a epítome da aleatoriedade: Sausage Party.

 

Da caneta de Seth Rogen, Jonah Hill (que dupla!) e Evan Goldberg, nasceram 88 minutos de filme animado, em que seguimos as peripécias e aventuras de produtos alimentares que acreditam que, para além das portas dos supermercados, há todo um mundo por descobrir.

 

Frank é uma salsicha que não aceita cegamente essa história de que os humanos são deuses, e que o único destino de todos aqueles alimentos é esperar pacientemente que um desses seres os leve da prateleira. Porém, quando a oportunidade surge para que Frank e os amigos sejam efetivamente comprados, não pensam duas vezes. Claro  que os espera é uma autêntica carnificina e uma luta pela sobrevivência.

 

 

A partir daqui, e se a história ainda não vos deixou a pensar “what the fuck”, eis que as coisas ficam cada vez melhores. Entre a maior quantidade de impropérios (alguns bastante originais) que alguma vez ouvi num filme, muito gore alimentício, histórias de amor e piadas que vão do mais básico a referências complexas, Sausage Party deixa-nos sempre entretidos, a rir, entusiasmados com o que vem a seguir.

 

Em termos técnicos, vale a mesmo a pena referir a qualidade da animação? Estamos em 2016, é praticamente impossível errar neste campo! No casting, Michael Cera, Paul Rudd, Bill Hader e James Franco (para dizer apenas alguns!) juntam-se a Seth Rogen, Jonah Hill e Kristen Wiig num voice-over excelente e on point, que ainda contou com Edward Norton para uma participação especial.

 

 

E quanto ao final? Divide-se em duas partes: uma primeira, que demora cerca de 3 minutos a acabar e em que só pensamos “mas...porquê!?” entre risos infinitos; e uma segunda que (claro, depois do que acabou de acontecer!) não faz grande sentido - mesmo já tendo em conta que o filme em si não segue uma linha reta.

 

Vale a pena? Vale, nem que seja só para descomprimir depois de um dia complicado. Mas uma coisa vos garanto: vai demorar algumas horas até conseguirem voltar a olhar para a comida da mesma forma!

 

De Lorean

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Os 5 filmes obrigatórios de Jason Statham

Ele foi membro da equipa britânica de mergulho. Ele foi modelo. Ele foi um dos vossos preferidos atores de ação... Oh wait, ainda é. Falamos, claro, de Jason Statham.

 

Todos o reconhecemos dos posters de filmes, das cenas mais enigmáticas, e dos filmes em que um motorista é o herói da cena. E não podemos dizer que o senhor não é eclético: ele pode ter ficado conhecido pelos filmes de ação, mas não deixa de fazer uma perninha da comédia.

 

 

E não é que tem jeito?

 

Eu tenho um fraquinho pelo senhor, e não tenho medo de o admitir. Por isso, para celebrar o seu aniversário (que teve lugar esta semana), revisitamos os filmes que mais nos ficaram na memória.

 

Snatch – Porcos e Diamantes (2000)

 

 

 

Foi Statham um dos protagonistas do filme que nos deu a conhecer o sotaque irlandês (e totalmente incompreensível) de Brad Pitt. Realizado por Guy Ritchie (o mesmo realizador que trouxe Statham para as lides cinematográficas, em Um Mal Nunca Vem Só), Snatch é um filme obrigatório em qualquer lista em que faça sentido.

 

É impossível não gostar das suas reviravoltas e humor. Está repleto de estrelas, e nada parece falhar. Nem mesmo a performance do nosso ator: ele pode manter sempre aquele ar duro, mas sabemos bem que tem um coração mole.

 

Correio de Risco (2002)

 

 

 

Achavam mesmo que ia deixar de fora esta pérola da filmografia de Jason Statham? Claro que não! Até porque foi Correio de Risco, e o seu Frank Martin, que o puseram na ribalta.

 

Para aqueles que não se lembram da história, Martin é um motorista que tem como missão entregar encomendas, e tudo lhe corria bem. Até que um dia a encomenda mexe... E começam as confusões.

 

O melhor deste filme? A cena de luta em que o chão repleto de gasolina ajuda o nosso herói a fugir de um grupo de uns 10 bandidos. O Jackie Chan estaria orgulhoso!

 

Um Golpe em Itália (2003)

 

 

 

OK, Statham aqui pode ter apenas um papel secundário, mas Um Golpe em Itália traz bónus: Edward Norton, Charlize Theron, Mark Whalberg... Querem que continue? É que posso.

 

Além disso, tem sempre aquela ação misturada com humor que gostamos tanto, e que Statham é tão bom a fazer - sobretudo porque se trata de uma história de vingança, em que um grupo de ladrões tem de roubar ao homem que os atraiçoou depois do seu maior golpe.

 

Aproveitem o próximo sábado à noite livre. Vejam.

 

Revólver (2005)

 

 

 

Regressamos a Statham em toda a sua glória. O seu sotaque (irresistível) narra a história do jogador profissional cheio de regras, que vai preso e se torna ainda melhor com a ajuda dos restantes prisioneiros. Não é bonito?

 

É, e não faltam armas, tiros, perseguições de carros e aquelas expressões cliché que têm de existir em todos os filmes do género. Mas Guess what? É o que adoro mais nestes filmes.

 

Isso e a realização de Guy Ritchie, que não deixa nada por acaso e sabe tirar partido do melhor de Statham – que é como quem diz, aquela sua expressão que parece dizer-nos tudo, mas na verdade não diz grande coisa.

 

Spy (2015)

 

 

 

Fiz batota outra vez: em Spy, Statham é apenas uma personagem secundária, mas tem o seu relevo. E ainda bem.

 

Lembram-se quando disse que o senhor tinha jeito para a comédia? Foi este filme que me fez acreditar nisso. Sim, eu sei que ele faz o papel igual a todos os outros: um espião supostamente experiente em lutas e tiros e conspirações. Mas aqui há uma nuance: quando abre a boca, ele fala mesmo muito!

 

É possível que entre em cerca de apenas 20 minutos em todo o filme, e acho que falou mais do que em muitos dos seus filmes completos. Eu agradeço, porque adoro aquele sotaque.

 

 

EXTRA: não podia deixar de deixar aqui a trilogia Mercenários, em que Statham é o melhor amigo de Sylvester Stallone, e um dos heróis da ação escolhidos pelo mestre para protagonizar a sua trilogia. São pérolas junto de pérolas...

 

Sim, tenho um fraco por estes filmes de ação. Obrigada Jason Statham por continuares a fazê-los tão bem.

REWIND: Dirty Dancing: a beleza da dança... e do amor

Corria o ano de 1987. Por entre os filmes todos que estrearam, houve um que ainda hoje faz parte do nosso imaginário, que nos fez dançar e apaixonar pelos homens de alças que nos apareciam nos verões: Dirty Dancing.

 

A culpa, tenho eu para mim, foi de Patrick Swayze. Foi aquele seu ar de galã moreno, que nos arrebata com passos de dança sensuais, que nos fizeram acreditar no amor à primeira vista. Foi o seu olhar expressivo, que quase entrava alma adentro, que nos fez acreditar que íamos conseguir encontrar nas férias com os nossos pais um instrutor assim.

 

Bem, não tanto na minha geração, mas mais naquela que viu nascer Dirty Dancing – que hoje recordamos, sete anos depois de perdermos Swayze.

 

 

Perdemos Swayze fisicamente, mas ficamos com o seu Johnny galanteador. Apesar de não me recordar do primeiro filmes que vi com o ator, lembro-me bem da primeira vez que assisti a Dirty Dancing.

 

Era uma tarde de domingo. Baby aprendia a dançar, de joelhos no chão, conquistada e apaixonada (uma cena que descobri que foi improvisada entre os atores). E do nada, ela corria para os braços do amado. E ela voava.

 

O filme é tão simples que parece estranho que tenha ganho tantos fãs. Na verdade, não passa de uma história de amor banal, que possivelmente nem durou mais de alguns meses depois do verão.

 

Mas isso realmente importa quando vemos Johnny a quebrar os seus preconceitos, e a aceitar o seu amor por Baby? Será que importa quando o vemos a defendê-la, a ajuda-la a defender-se por si mesma? Claro que não!

 

 

O bom das histórias de amor como a que existe entre Baby e Johnny é que a única coisa que importa é isso mesmo: o amor. É aquele momento em que duas pessoas olham uma para a outra e percebem que se completam.

 

Dentro da sua simplicidade, Dirty Dancing fez quem assistiu suspirar por uma paixão como aquela. Elas queriam aprender a dançar, eles queriam abraça-la e manda-la pelo ar (como só a graça de Jennifer Grey permite). Nós, olhando pela TV, queríamos ir até lá e encontrar um irmão, primo ou até tio afastado de Swayze que nos fizesse o mesmo.

 

No fundo, aquilo que Patrick Swayze, Jennifer Grey e Dirty Dancing nos trouxeram foi o desejo de encontrar o amor. É o típico filme feminino que nos faz suspirar, mas é daqueles filmes típicos que faz falta em qualquer fim de semana à tarde, ou numa girl’s night.

 

 

Por vezes, não precisamos de um filme fantástico, com planos super bem pensados ou interpretações totalmente arrebatadoras para nos ficarem na memória. Os mais simples podem ser aqueles que, por um motivo ou outro, nos tocam mais ao coração.

 

Dirty Dancing é um desses casos. O que tem de especial? Sejamos sinceros: nada! Mas não deixa de ser uma história de amor, e todos nós gostamos de uma história de amor de vez em quando.

TRAILER DA SEMANA: São Jorge

Depois de anunciado que Nuno Lopes tinha ganho o prémio de Melhor Ator da secção Horizontes, no Festival de Veneza, uma coisa pareceu certa: o Cinema português tem tanto para mostrar, e nós ainda estamos a aprender a dar-lhe valor.

 

O meu pai diz que os filmes portugueses são todos “estilo Manoel de Oliveira”, parados e “para intelectuais.” Apesar de não concordar com a afirmação, a verdade é que temos um estilo muito próprio de fazer filmes. Gostamos de dramas, de realidades prostradas no ecrã, da verdade nua e crua – e é claro que isso faz com que pareça que sejam filmes mais difíceis de digerir.

 

Claro que esta ideia começa a mudar. Os números de espectadores nos filmes portugueses começam a aumentar (também graças às comédias que são cada vez mais comuns), e estamos a dar mais valor à nossa arte. Depois de ver o trailer de São Jorge, espero sinceramente que a tendência continue.

 

 

 

 

São Jorge conta a história de Jorge, um operário de um bairro social de Lisboa que, graças às vicissitudes da crise, viu-se sem emprego e com uma família à beira da ruína. Sem espaço para onde se virar, o praticante de boxe decidi aceitar um novo emprego para tentar ganhar dinheiro: coletor de dívidas. Que é como quem diz, fazia parte de uma organização que batia em pessoas para que devolvessem o dinheiro emprestado.

 

Em tempo de crise e desespero, podemos mesmo julga-lo?

 

A estreia de São Jorge aconteceu no Festival de Veneza, este mês de setembro. As críticas receberam-no de braços abertos, sobretudo graças à interpretação de Nuno Lopes, e da visão de Marco Martins, o realizador.

 

Ambos já tinham colaborado em Alice, em 2005, e confesso que ainda não o vi. No entanto, recebi São Jorge com a certeza que não vou poder deixá-lo passar. Primeiro, porque Nuno Lopes é daqueles atores dá tudo de si. Ele engordou 20 quilos, treinou várias horas por dia, e esteve nos bairros de Lisboa para perceber o que a sua personagem iria viver.

 

 

 

Depois, porque só pelo trailer percebemos a crueza e realidade com que o filme é tratado. Sim, é uma obra de ficção, mas que pega naquela realidade que todos sabemos existir, e queremos esconder.

 

Por cá, só em novembro vamos conseguir assistir ao filme completo. Será que as salas vão nos deixar assistir no grande ecrã? Espero que sim. Lá estarei na plateia.

LIVROS QUE DERAM FILME: A Casa dos Espíritos

Todas as histórias de amor têm altos e baixos. Os apaixonados encontram-se e desencontram-se, e regressam sempre ao ponto de partida: o momento em que percebem que o seu equilíbrio está na sua cara metade.

 

Li A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende, sem saber na verdade do que se tratava. Já tinha lido excertos, o filme estava algures na memória, mas o livro nunca completo. Terminei com a sensação de que se tratava de uma coisa simples: o amor.

 

Nas suas várias formas: o amor entre casal, que encontra na outra pessoa uma parte de si. O amor entre pai e filho, mãe e pai, avós e netos. E o amor da amizade, que nos leva mais além.

 

É uma história de amor que atravessa gerações, com o cunho histórico a que Allende já nos habituou.

 

A adaptação para cinema, realizada por Billie August em 1993, é uma viagem por esses amores. Talvez não de forma tão intensa quanto gostaríamos, mas ele está lá.

 

 

Vou deixar de lado o tipo de adaptação que foi feita. É claro que, num texto que fala especificamente de como uma adaptação pode ser bem ou mal feita, surjam comparações. No entanto, vou evitá-las. A principal razão é que a história sofreu várias alterações, não ao nível dos acontecimento, mas sim das personagens que os vivem, para conseguir um filme coerente e curto qb.

 

E isso eu não condeno. Eu percebo o porquê de o terem feito, e até concordo com as mudanças que fizeram. Mas talvez por isso, consigo olhar para ambas as obras como se estivessem totalmente separadas uma da outra.

 

No fundo, todas as adaptações estão, só que temos sempre esperança de encontrar na tela as emoções que imaginámos no papel. Em A Casa dos Espíritos, as emoções certas são ainda mais intensas... Outras deixam a desejar.

 

Tomemos como ponto de partida a relação entre Esteban Trueba (Jeremy Irons) e Clara del Valle (Meryl Streep) - dois atores que admiro e que acredito que não fazem nada errado. E não fazem. Se Irons consegue pôr aquele ar latino que não tem (e coitado, eles bem tentaram que fisicamente tivesse), Streep tem o ar fantasioso e sonhador de Clara, de anjo salvador. Um olhar entre ambos e parecem dois jovens apaixonados.

 

Mas os meus louvores vão para Glenn Close, a Ferula Trueba que numa só expressão consegue mostrar-nos a solidão e prazer escondido que uma mulher consegue sentir. E é disto que falo: de o filme consegue fazer-nos sentir aquilo que as palavras apenas nos mostram que aconteceu.

 

 

Não que Allende são o saiba expressar, ou que a sua descrição não seja suficiente. Nada disso! Mas não há como negar que a força que Close dá ao papel de Ferula, bem como assistir ao amor entre Esteban e Clara, ganha uma nova dimensão e magnitude quando vemos as suas expressões e interações.

 

Não achei uma adaptação fantástica, nem sequer um filme extraordinário. Ambos os pontos têm as suas coisas boas e más, o que não invalida que não seja um belo exemplar do cinema – e do cinema que usa livros para se inspirar.

 

Até porque não nos podemos esquecer que A Casa dos Espíritos, em parte, foi filmado em Portugal. As ruas de Lisboa enobrecem o filme, e as paisagens do Alentejo são as preferidas da família Trueba – aliás, a sua casa ainda lá está, para ser visitada.

 

A história dos Trueba também existe para ser revisitada, seja nas palavras ou no cinema. E seja de que forma for, vale a pena relembrarmos as suas vidas, e os acontecimentos que os levam até à maior conclusão: o amor é o que nos levanta. Sem ele, que sentido tem a vida?

A estrelinha de Tom Hanks

Tenho uma confissão a fazer: eu sou fã do Tom Hanks. Sou fã, gosto do senhor, e vejo todos os seus filmes com uma expectativa segura de que vou gostar. Não há nada que possa fazer, é mais forte que eu.

 

Há quem diga que o senhr não acrescenta muito enquanto ator. Que é banal, faz papéis lamechas e cheios de drama, e que é por isso que consegue ganhar prémios e ser chamado para filmes de relevo. Já foram três de Dan Brown (um deles a chegar), uns quantos sobre histórias verídicas, com dramas e muitas reviravoltas. Já o tentámos ver a salvar um soldado no meio da guerra, e a partir de hoje vemo-lo também a tentar aterrar um avião em Milagre no Rio Hudson, de Clint Eastwood.

 

Para mim, o senhor dá uma dimensão maior às histórias. De alguma forma, ele consegue pegar numa personagem, dar-lhe um toque e humor e drama, e ser aquilo que estamos à espera. Não há floreados, nem lágrimas exageradas – há apenas o que tem de ser.

 

 

A verdade é que não sei explicar com grandes argumentos o porquê de gostar tanto do senhor. Não, não assisti a toda a sua filmografia, mas há algo que, inexplicavelmente, me faz adorar cada pedacinho deles.

 

Aliás, dois deles estão na minha lista de favoritos: You’ve Got Mail, com uma encantadora Meg Ryan (que junta o meu fraquinho por histórias de amor improváveis e livros); e Terminal de Aeroporto, sobre o inocente estrangeiro que só quer agradar ao pai, e encontra num aeroporto o amor e amizade.

 

Ambos são de uma altura em que Hanks interpretava cada papel com uma naturalidade tal que parecia feito para ele. Dificilmente conseguíamos dissociar a personagem com o ator. Não que agora não aconteça; no entanto, são-lhe entregues papéis mais maduros e complexos, que forçosamente pedem alguém mais ponderado.

 

 

Eu gosto especialmente do Tom Hanks de Filadelfia, das suas primeiras comédias, e do jovem descontraído. Gosto do Hanks que desfilava estilo, ou que ficava sozinho em ilhas com uma bola de vólei. E até gosto do Hanks que tenta salvar barcos de piratas na Somália.

 

Mas quem é que eu quero enganar? Eu gosto de Tom Hanks em qualquer papel. Continuo a ter na memoria a sua elegância, e continuo a ter um fraquinho pelo senhor.

 

Como sempre desde que vi Filadélfia (um dos mais poderosos trabalhos do senhor, e um dos meus prediletos), vou assistir a Milagre do Rio Hudson em parte para ver mais um dos seus trabalhos. Para os que não sabem, a história é a de Chesley Sullenberg, o piloto que conseguiu aterrar um avião em pleno rio Hudson, em Nova Iorque, e salvar todos os seus ocupantes.

 

 

Além de marcar o regresso de Tom Hanks, marca também a volta de Clint Eastwood à cadeira de realizador, depois de Sniper Americano, em 2014. Tenho medo de esperar demasiado e, depois, so encontrar mais um filme sobre uma história verídica. Será que me vou enganar?