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Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

As aventuras e desventuras de uma miúda que se alimenta de histórias cinematográficas.

Fui ao Cinema... E não comi pipocas!

Capitão América: Guerra Civil (2016) – heróis em combate

Sinopse: depois dos acontecimentos em Sokovia (no último Os Vingadores: a Era de Ultron), o mundo ressentiu-se: os super-heróis deviam ajudar-nos, ou destruir as nossas cidades e matar os seus cidadãos? Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um dos apoiantes de Acordos das Nações Unidas que pretende limitar a ação dos Vingadores, mas nem todos concordam. E começa uma guerra entre os próprios heróis...

 

Ultimamente, tenho tido um problema com os filmes da Marvel: parecem mais do mesmo, com batalhas e prédios destruídos, e tantos personagens que nunca sei qual é o filme que estou a ver. Quando soube que este Capitão América teria como premissa um conflito entre os próprios Vingadores, fiquei com medo – este deixara de ser um filme de Capitão América, e era sim um Vingadores 2.0.

 

Temo que me enganei. Se bem que as minhas expectativas não estavam elevadas, rematei a bola à trave com toda a força; não é que até gostei muito do filme?

 

 

 

Talvez porque, graças a um argumento bem estruturado e equilibrado, as atenções acabam por se concentrar em Steve Rogers (Chris Evans) e na sua demanda de recuperar a única coisa que lhe resta da sua era: o amigo Bucky (Sebastian Stan), ou Winter Soldier, como passou a ser conhecido.

 

E isso é bom. Aliás, é o que se quer. É quase impossível assistirmos a este Guerra Civil sem termos visto primeiro o anterior Soldado de Inverno (2014) e Os Vingadores 2 (2015); os acontecimentos são consequências diretas das ações dos super-heróis nesses filmes. Para os que não viram, bem, podem ficar às aranhas de início, mas conseguem acabar por perceber a ação – o que só demonstra que este foi um pormenor tido em conta.

 

Mesmo com as atenções viradas para o grande representante do povo americano, sendo esta uma guerra civil, é claro que o outro lado da batalha (diga-se, o Homem de Ferro) tinha de ter também o seu destaque. O que acontece, com o devido equilíbrio, mas de forma a que não haja dúvidas: este é um filme sobre os dilemas e valores de Rogers.

 

 

 

 

No fundo, o melhor adjetivo para descrever este filme é equilibrado. A história é equilibrada, bem como as cenas de ação e descrição. Pessoalmente (e esta é uma questão pessoal, vinda de alguém que, por norma, não gosta da forma como são filmadas as cenas de luta corpo a corpo), gostei da forma como os confrontos ficaram registados, dando-nos tanto uma perspetiva próxima da ação, como mais abrangente, de forma a que nunca esquecêssemos o que se estava a passar à volta.

 

Mas acredito que a pergunta nas vossas cabeças seja outra: então e o Homem-Aranha? Aparece mesmo? Está fixe? Ele é porreiro, ou apenas mais um Homem-Aranha para juntar aos outros? Surpreendentemente, posso dizer-vos que a presença do aranhiço foi uma das melhores surpresas. A sua presença não é forçada, e foram inteligentes na introdução feita ao herói. Se tudo correr como aqui, é bom saber que a Marvel está a pensar entrar numa nova perspetiva em relação ao aranhiço, distanciar-se totalmente daquela que conhecemos. Pode ser que não seja mais do mesmo...

 

 

E claro, notamos que surgem personagens que aparecem só porque sim (coitado do Homem-Formiga de Paul Rudd, que até esteve bem no filme stand alone, de 2015), mas isso já acontece por norma nos filmes com mais de duas sequelas - e não podemos ver Guerra Civil como um Capitão América 3, mas sim como uma continuação dos mais recentes filmes que tenham os Vingadores como protagonistas.

 

Mas é um bom blockbuster. É um filme pipoca, com fórmulas mais do que conhecidas por todos nós, mas que consegue no meio disso tudo ter qualidade e ser digno de ver no cinema. Há muito que não dizia isto sobre um filme da Marvel, e sabe bem voltar a senti-lo.

 

Drive In #14 - Honey

Aqui no blog primamos por não deixar passar nenhuma data importante, e este Drive In veio no timming certo: não só celebramos hoje as 35 primaveras de Jessica Alba, como fazemos moonwalk até ao Dia Internacional da Dança, que se festeja amanhã por todo o mundo.

 

E agora vocês perguntam: o que é que Jessica Alba e dança têm em comum que seja digno de um Drive In? A resposta é doce, doce: Honey.

 

 

Não sei se se lembram, mas quando a tv por cabo apareceu em Portugal, havia um canal chamado People + Arts (que entretanto teve tantas evoluções que nem o Ash ia dar conta deste pokémon). Nesse canal, passava a velhinha série Fame, com Debbie Allen e Gene Anthony Ray. Eu adorava aquilo: cantar e dançar e tocar instrumentos, tudo numa escola só? Nem sabia que isso existia! A série tinha a sua própria aura de magia, alguma coisa que nos fazia acreditar que aqueles miúdos iam mesmo chegar longe; que a série acabava mas eles ganhavam asas e iam encantar palcos da Broadway e do West End, e figurar nos grandes blockbusters de Hollywood.

 

Fame foi a impulsionadora de filmes como Dirty Dancing e Flashdance, que ditaram o mote do género. Mais tarde, com a febre do hip hop, surgiram êxitos como 8 Mile...e Honey.

 

O ano é 2003 e a jovem Jessica Alba interpreta Honey Daniels, uma coreógrafa que sonha em ver o seu trabalho nos vídeoclipes dos grandes artistas...mas só tem chance de praticar os moves nas discotecas da zona. Até que, convenientemente, surge na sua vida um produtor famoso, Michael Ellis, que lhe promete uma carreira e dinheiro. O senão? Honey só tem de pagar tudo isso em sexo.

 

Claro está que Honey recusa e, como consequência, fica sem trabalho, entra em stress e afasta todas as pessoas que gostam dela - tudo isto com muita dança e música à mistura. O filme acaba por ter um quê de conto de fadas: o triângulo amoroso, a melhor amiga que se desilude, mas volta para dar apoio nos momentos certos e, claro, o final feliz.

 

Está longe de ser um trabalho de génio - mas damos o desconto, já que foi o primeiro esforço de Bille Woodruff no mundo da realização. Antes, só tinha feito videoclipes...mas dos bons! Foi responsável por vários vídeos de Britney Spears e dos Outkast, que chegaram ao Top 10. O americado ficou-se por aquilo que conhecia, e não o fez tremendamente mal: sim, é altamente previsível e está tão cheio de clichés docinhos que se torna borderline diabético, mas, por outro lado, tem ótima coreografia, excelente banda sonora e um cameo de Missy Elliot!

 

 

Honey chega aos calcanhares dos seus antepassados? Jessica Alba traz-nos a intensidade de Jennifer Beals ou a personalidade contagiante de Jennifer Grey? Claro que não, mas não é por isso que deixa de nos divertir e entreteter durante uma hora e meia. E no final de contas, tem um lado sério e uma mensagem positiva que passa na perfeição: o que verdadeiramente conta é o talento e permanecer fiel aos nossos valores - por muito difícil que seja, e mesmo com todas as adversidades, fazer a coisa certa dá infinitamente mais gozo.

 

 

E nem se atrevam a dizer que, quando o filme acaba, não vão tentar os moves que viram em frente ao espelho. Eu sei...também tentei.

 

"I found something that I truly love, that truly makes me happy.
That's a million times better than something that makes you rich."

DeLorean

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5 musicais para todos os dias

Não existe consenso: há quem os adore, há quem não os suporte! Por entre os trezentos mil géneros que existem, o cinema musical é provavelmente aquele que desperta mais paixões, qualquer que seja a opinião sobre a sua existência – os que adoram apoiam fervorosamente, os que detestam fazem de tudo para que não vejam a luz do dia.

 

Confesso: musicais são o meu guilty pleasure. Sei as letras de cor, tenho as bandas sonoras como playlists no Spotify, e várias são as vezes que me vejo e abrir uma delas para alegrar o meu dia.

 

Talvez seja porque os musicais me fazem lembrar os filmes da Disney, em que príncipes e princesas cantavam a sua história, e nos encantavam com momentos de música cujas letras ainda hoje sei de cor. Ou talvez seja porque, no fundo, eu gosto é de um filme que me faça reviver cada momento só com a lembrança de uma palavra.

 

Acreditamos que não há melhor altura para celebrar o cinema musical, do que na semana em que se comemora a vitória de Música no Coração, na categoria de Melhor Filme dos Óscares da Academia.

 

Por isso, apaguem as luzes, ponham o volume no máximo e deliciem-se com as notas musicais de cinco filmes obrigatórios para qualquer fã do género!

 

 

  • Música no Coração (1965)

 

 

Era inevitável começar com o filme que nos dá o mote para este artigo. Mais do que o melhor filme de 1965, Música no Coração conseguiu ser dos poucos musicais a ganhar lugar nos corações de tantas famílias, mesmo daqueles que se achavam demasiado bons para não gostar de filmes com cantorias.

 

A delicadeza e classe da eterna Julie Andrews é inigualável, e o charme intemporal de Christopher Plummer, emprestam magia ao filme, repleto de um aura de desafio e combate às adversidades...sempre aço som de uma música engraçada.

 

É leve, divertido qb e até um pouco dramático, e as músicas são uma adenda bonita. E ai de quem não consiga derreter-se ao ouvir a voz de Andrews...

 

 

  • Fantasma da Ópera (2004) / Os Miseráveis (2012)

 

 

São dois filmes numa só categoria, eu sei, mas achei que merecia. Porque cada um destes filmes pode ser visto como clássico do mundo dos musicais: histórias intemporais que utilizam a música como narrativa, e não apenas como uma extra.

 

São diálogos inteiros em forma de canção, pedaços importantes da história que ficamos a conhecer através de notas musicais. Acredito que nem todos tenham a vontade para conseguir aguentar tanta cantoria mas, por outro lado, não são todos os que conseguem manter um argumento rico e interessante, com as músicas lá no meio. E estes conseguem.

 

 

Em primeiro lugar, O Fantasma da Ópera é um dos clássicos da autoria de Andrew Lloyd Webber, que sempre viveu no nosso imaginário. Pelos meandros da ópera, temos uma história dramática e cheia de emoção, pensada primeiro para o palco, e depois adaptada para o cinema. Com a ajuda do próprio Lloyd Webber, a adaptação foi pensada ao pormenor e cheia de coisas boas.

 

O mesmo aconteceu com Os Miseráveis. Escrito no original por Vitor Hugo, adaptado mais tarde para a Broadway, é um dos musicais mais conhecidos do mundo. A sua última adaptação para cinema foi alvo de elogios por parte de todos, e com razão: são interpretações soberbas e um argumento bem construído.

 

E são bonitos, pá!

 

 

  • Hairspray (2007)

 

 

Chegou o momento de deixar para trás os grandes musicais e passar para aqueles que nos marcaram a memória porque, bem... Aconteceu.

 

Hairspray é um desses casos. Também da Broadway, adaptado para cinema no ido ano de 2007, fala de uma menina gordinha que quer vencer no mundo da música e da televisão. A ajudá-la tem a mãe, que, por algum motivo, acharam que podia ser interpretada por John Travolta – bem, nada contra, foi em musicais que o senhor começou... Só que numa pele masculina.

 

O que Hairspray tem de bom é uma história a dar para o parva, com personagens igualmente idiotas... Mas músicas que ficam no ouvido de tal forma que é impossível tirar o olhar da televisão. É um daqueles feel good movies, que vemos em dias de chuva com uma manta nos joelhos e pipocas no colo.

 

Volta não volta, são precisos momentos assim.

 

 

  • Chicago (2002)

 

 

Em 2002, pensar que Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere podiam protagonizar um musical estaria fora das expetativas – até que Chicago chegou para nos surpreender.

 

As atrizes são duas criminosas no corredor da morte que se veem no mundo da fama antes da derradeira hora. Nos entretantos, cantam, são sexy para caramba e contam uma história cativante com a ajuda de plumas e lingerie.

 

E não sou só eu que digo: ao todo, foram 13 nomeações para os Óscares, que mostraram como, afinal, o cinema musical ainda pode ser bem visto aos olhos deste mundo.

 

Claro que um Óscar vale o que vale, mas Chicago deixa-nos ver que basta uma boa história e boas interpretações para que um filme possa merecer a nossa atenção, quer tenha músicas ou não lá pelo meio.

 

 

  • Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street (2007)

 

 

Num artigo que quer celebrar o cinema musical, não podia deixar de mencionar uma obra de Tim Burton. Os musicais podem não ser a imagem de marca do realizador, mas não significa que aqueles que dirigiu e produziu até agora não mereçam a nossa atenção.

 

De O Estranho Caso de Jack a este Sweeney Todd, Burton consegue dar o seu cunho tão característico a um género que costuma ser muito do mesmo. E ainda bem.

 

Em Sweeney Todd (uma adaptação da peça, também musical, reconhecida internacionalmente), Burton traz-nos, como é seu hábito, Johnny Depp e Helena Bonham Carter, acompanhados do gigante Alan Rickman, Sacha Baron Cohen e Jamie Campbell Bower que, mesmo sem estarmos à espera, têm performances e vozes ideais para os seus papéis.

 

Improvável. É um dos melhores adjetivos que encontro para este filme, e uma das razões que acredito que até o mais adverso a musicais o deve ver. De uma história negra e dramática, há momentos em que parece que a música lhe dá uma leveza querida e ansiada – e isso não lhe tira encanto, dá-lhe ainda mais.

 

Todos os filmes merecem uma oportunidade. Os musicais são como todos os outros, só precisam de um pouco mais de paciência para serem tolerados. Mas vá, as melhores surpresas são aquelas que não estamos à espera de receber. Quem sabe um destes filmes não será a vossa...

Trailer da Semana - X-Men: Apocalypse

Apesar de vir com um dia de atraso (graças às comemorações do feriado de ontem, que podem ler aqui), o Trailer da Semana não podia ser mais entusiasmante: traz-nos o trailer final de X-Men Apocalypse, o mais recente capítulo da saga de X-Men, e cuja estreia está aí ao virar da esquina.

 

Estamos em 1983, e Charles Xavier (James McAvoy) e companhia estão novamente em apuros. Desta vez, a ameaça vem na pele de Apocalypse (interpretado por Oscar Isaac, que parece estar em todo o lado, atualmente), uma entidade que começa a espalhar o pânico e a querer mudar os padrões da sociedade. E aqui entram em ação dos nossos conhecidos X-Men.

 

 

Mas não são os X-Men que conhecemos. Sim, temos Xavier, Beast (Nick Hoult) e até Mystique (Jennifer Lawrence), mas temos também uns jovens Jean e Cyclops, interpretados por Sophie Turner e Tye Sheridan.

 

Lá pelo meio, surgem personagens conhecidas e novidades, que nos enchem de curiosidade sobre tudo o que vai acontecer desta vez.

 

Mais do que fã dos desenhos animados de X-Men que alegravam os meus dias de criança, encontrei no último X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido um reavivar desta saga, há muito necessário. Entre viagens no tempo, desafios passados e presentes, o confronto que Bryan Singer nos trouxe em 2014 tinha de tudo um pouco: ação, boa realização, personagens fortes e um argumento coerente. Até tinha Wolverine!

 

Quero muito ver este Apocalypse. Dos super-heróis Marvel, os X-Men são definitivamente aqueles por quem tenho maior carinho; são outcast, uma minoria que, mesmo sendo desprezada por grande parte da sociedade, continua a acreditar que pode ajudá-la e salvá-la. E essa é a minha definição de heroísmo..

 

É já no final de maio que vamos poder assistir a este novo capítulo. Vou estar na primeira fila!

 

Dia da Liberdade, dia de Cinema

25 de abril de 1974.

 

Não existe alma em Portugal que não saiba o que aconteceu neste dia: Grândola Vila Morena tocou na rádio, as tropas saiam à rua, os cravos foram postos nas pontas das espingardas e os portugueses gritaram liberdade.

 

Há 42 anos atrás, o destino do país mudou para dar lugar a um Portugal sem censura, com liberdade e um caminho até aos dias de hoje – para o bom e para o mau, não vou entrar nos pormenores políticos.

 

Então, o que tem isso a ver com Cinema?

 

Nada… e tudo! A verdade é que a cultura sofreu em tempos de censura como em nenhuma outra época, com livros, músicas e produções a serem proibidas e postas de parte apenas porque uma pessoa achava que iam contra os seus ideais. Com isso, Portugal tornou-se num país culturalmente atrasado e iliterado.

 

Uma realidade que, felizmente, tem sido alterada ao longo dos anos. A cena cultural portuguesa tem crescido atualmente como raramente se viu: novas bandas e artistas lançam trabalhos e esgotam concertos, filmes produzidos no nosso país levam milhares às salas de cinema, a televisão é premiada como nunca antes…

 

E ainda bem. Achavam que alguma vez seria possível produzir um Call Girl, ou Crime do Padre Amaro? Até um Gaiola Dourada seria proibido de ser exibido nas nossas salas e televisões – e quem pode negar que é um dos testemunhos mais corretos da cultura portuguesa?

 

O fim da censura em Portugal permitiu-nos ser hoje um país onde é possível assistir a obras cinematográficas de excelência, que todos os dias nos encantam e nos fazem acreditar na sua magia. Podemos, livremente, olhar para os cartazes à porta das salas, ao invés de por cima do ombro ao entrar; produzir filmes com todos os temas que nos passem pela cabeça; fazer humor com as figuras que nos assaltam o televisor.

 

Neste dia 25 de abril, deixemos a política de lado e celebremos um dia que nos permitiu olhar para a cultura com olhos livres.

 

Vamos pegar nos cravos, gritar liberdade e aproveitá-la para criar coisas bonitas e inspiradoras. É graças a ela que tenho este espaço, esta alegria, e é graças a ela que podemos assistir a filmes como este, sobre histórias inspiradoras:

 

 

Livros que deram filme – Sensibilidade e Bom Senso

A par do Cinema, sempre encontrei na Literatura uma outra paixão, se bem que esta mais recreativa. Através dos livros e das suas histórias, encontro um escape, um refúgio num mundo que crio na minha cabeça, e cujas criações fazem parte da minha imaginação. Não me imagino sem um livro na mala, e leio todos os dias nem que seja uma página.

 

É por isso inevitável que encontre nos filmes inspirados em livros um dos meus interesses. É a melhor forma de ver materializado o mundo que crio na minha mente, e de alguma forma sentir que talvez, num universo paralelo, até possa estar mais perto da realidade. Só que nem sempre a passagem da página para o grande ecrã corre bem, seja devido a pobres adaptações, atores que não captam a essência das personagens, ou cenários que deixam pouco a desejar.

 

Aqui no Fui Ao Cinema... E Não Comi Pipocas, achamos que as boas adaptações, ou aquelas que moram nos nossos corações (seja por bons ou maus motivos) devem ser celebradas. Por isso, aproveitamos o aniversário da vitória de Sensibilidade e Bom Senso do BAFTA para Melhor Filme, para dar início a uma rubrica que vai juntar o melhor de dois mundos: quando os livros também são filmes.


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“I wish, as well as everybody else, to be perfectly happy; but, like everybody else, it must be in my own way.”

 

Corria o ano de 1811 quando Jane Austen se iniciou nas lides do sucesso literário, com o lançamento de Sensibilidade e Bom Senso, uma história sobre duas irmãs que, depois de perder o pai, são obrigadas a viver numa casa de um parente afastado até encontrar sustento.

 

E o sustento, não tanto como corre nos dias de hoje, vinha mais pela virtude do casamento do que propriamente pelo trabalho duro.

 

Elinor e Marianne, as duas irmãs, não podiam então ser mais diferentes: a primeira, sensível, consciente dos problemas da família, está disposta a sacrificar-se pelo seu bem estar; a segunda, impetuosa, deixa-se levar pelas suas emoções e sensibilidade e renega o bom-senso. São duas caras da mesma moeda, que com o decorrer da história descobrem que o segredo está em encontrar um equilíbrio entre o racional e a emoção.

 

 

Não é difícil não pensar no semblante sério de Emma Thomson, nem na exuberante personalidade de Kate Winslet, quando pensamos nas duas irmãs. Foram estas as atrizes que, em 1995, interpretaram as personagens principais na adaptação do romance dirigida por Ang Lee (uma adaptação que valeu a Thompson também o Óscar para Melhor Argumento Adaptado, já que foi também a responsável pelo guião).

 

O bom nesta adaptação é que, ao contrário de tantas outras, tenta manter a sua simplicidade. Não existem artifícios ou dramas de mais; existem apenas aqueles que a obra exige, que não são muitos, e que, aliás, é quase regra em muitas das adaptações britânicas: com aquela sua classe, sotaque característico e semblante carregado, pouco falta para sermos de imediato transportados para a época vitoriana.

 

Ler Jane Austen pode não ser uma tarefa fácil; como qualquer boa autora vitoriana, Austen abusa das descrições e de um inglês clássico que se enrola na língua. Não há cá as facilidades da linguagem que hoje conhecemos, são frases ricas e cheias de informação.

 

 

 

 

Talvez o melhor deste Sensibilidade e Bom Senso é que, sem perder a alma do século XIX, conta-nos de forma simples as aventuras e desventuras das duas irmãs. As descrições são substituídas por cenários que em muito se lhes aproximam, as caracterizações das personagens por atores que retratam na perfeição a figura que imaginamos na nossa cabeça (que dizer de Alan Rickman, ou até de Hugh Grant?), e os diálogos ganham uma dimensão que só o Cinema consegue dar.

 

Sensibilidade e Bom Senso tem o melhor que a escrita de Austen nos dá: saber que, em assuntos do coração - e quiçá, da vida em geral -, nem o racionalismo exacerbado, nem as emoções fortes devem reinar. Mas vai mais além, ao oferecer-nos um filme riquíssimo, e um testemunho forte da história e sociedade britânicas.

 

Há 10 anos, Sensibilidade e Bom Senso saiu da cerimónia dos BAFTA com os galardões de Melhor Filme, Melhor Atriz Principal (para Thompson) e Melhor Atriz Secundária (entregue a Kate Winslet). Para trás ficaram outros tantos, bem como alguns Óscares que podiam ter sido entregues.

 

Mas quem conta os prémios? Importantes para mostrar o reconhecimento da indústria, a verdade é que hoje estamos aqui nós, fãs de Austen e dos seus romances, para afirmar que se há boa adaptação neste planeta de livro para filme, é esta feita por Thompson e Ang Lee.

 

O resto é conversa.

 

“I've come here with no expectations, only to profess, now that I am at liberty to do so, that my heart is, and always will be, yours.” E o nosso é vosso.

Shakespeare 400 - Quase meio milénio de histórias

Hoje celebra-se, um pouco por todo o mundo, o aniversário da morte de William Shakespeare. O ano era 1616, o dia, é claro, 23 de abril, e o local Stratford-upon-Avon, a pitoresca vila a uma hora e meia de Londres, no coração campestre de Inglaterra, onde o poeta nasceu e veio também a morrer.

 

Contudo, a causa do falecimento ficará para sempre por averiguar. Homicídio, talvez? Peste negra, ou qualquer praga do século XVII? Nada disso: um vigário, 50 anos depois da morte do escritor, escreveu no seu diário que se lembrava distintamente de o ver nos copos com os amigos, precisamente na noite antes de falecer - sendo que o motivo para tão bem sucedido poeta atravessar o véu para o outro mundo tinha sido uma suposta febre que contraiu nessa mesma noite.

 

 

Tendo em conta a época em que o escritor viveu, é possível e provável que tenha ocorrido desta forma...mas nunca saberemos com certeza. Temos de considerar a hipótese de o vigário também ter vindo dos copos quando escreveu isto.

 

E embora seja importante a maneira como morreu, com apenas 52 anos (deixando duas filhas e a mulher, ANNE HATHAWAY - e não, não estou a gozar!), é ainda mais importante aquilo que Shakespeare nos deixou, e que ainda hoje nos acompanha: em 25 anos de atividade, criou 38 peças teatrais, 154 sonetos e 2 longos poemas narrativos que o levaram a ser considerado o maior escritor de língua inglesa de todos os tempos. Romeu e Julieta, King Lear, Macbeth e Hamlet são apenas algumas das obras primas que ainda hoje celebramos nos palcos e na tela.

 

 

E já que (com muita pena nossa!) não podemos estar em Stratford-upon-Avon para as milhentas celebrações - que incluem o evento Shakespeare Live!, paradas, fogos de artifício, teatro de rua, concertos e representações das cenas das peças mais icónicas por nomes como Judy Dench, Helen Mirren, Ian McKellen e Benedict Cumberbatch - vamos prestar homenagem à nossa maneira, com o top 5 das nossas adaptações favoritas das obras de Shakespeare!

 

 

1 - A PAIXÃO DE SHAKESPEARE

 

Este filme podia nunca ter visto a luz do dia por culpa de Julia Roberts! Quando, em 1991, o argumento lhe chegou às mãos, a atriz estava super interessada em interpretar o papel principal. Contudo, não aceitava nenhum outro leading man excepto Daniel Day-Lewis - que não podia estar menos interessado. A seis semanas de começar a produção do filme e sem ser capaz de o convencer a participar, a Julinha disse bye felicia!, deixou o realizador Edward Zwick na mão, e o filme acabou por ir para a prateleira durante uns tempos. Quando finalmente Zwick conseguiu que a produtora Miramar se interessasse em levar o projeto para a frente, o pobre do homem voltou a levar com os pés: a companhia queria John Madden como realizador. Por outras palavras: friendzone cinematográfica.

 

 

E foi assim que, finalmente, A Paixão de Shakespeare nasceu e se tornou no filme que mais vezes (re)vimos em toda a nossa vida. A história de amor imaginária e impossível entre Viola de Lesseps (Gwyneth Paltrow) e William Shakespeare (Joseph Fiennes), transporta-nos para a Inglaterra do século XVII com magia e bom humor - e a expressão "who knows? It's a mystery!", utilizada por Philip Henslowe (Geoffrey Rush), tornou-se uma que usamos constantemente. A Paixão de Shakespeare, venceu não um, não dois, mas sete Óscares da Academia em 1998, incluindo Melhor Filme e Melhor Atriz.

 

 

2 - MUCH ADO ABOUT NOTHING

 

Kenneth Branagh não só foi um excelente Gilderoy Lockhart, como também nos trouxe Chris Hemsworth de tronco nu em Thor - e só por isso tem todo o crédito do mundo. Mas a verdade é que o ator, realizador e produtor irlandês é conhecido e consagrado pelas suas adaptações de Shakespeare ao cinema. Much Ado About Nothing junta num só filme alguns dos meus atores favoritos: Emma Thompson, Robert Sean Leonard, Michael Keaton, uma jovem Kate Beckinsale, o próprio Kenneth Branagh e ainda os americanos Denzel Washington e Keanu Reeves - casting que, honestamente, nunca percebemos.

 

Porém, tornou o filme mais interessante, e a crítica achou o mesmo. E não tinha como não achar: é mais do que óbvia a paixão de Kenneth Branagh pela obra, e a sua adaptação, no mínimo, entusiasta, traz uma alegria e bom humor contagiantes. O irlandês acabou até por ser nomeado para a Palme D'Or, no Festival de Cannes, em 1993, e o London Film Critics' Circle entregou-lhe o prémio de Produtor do Ano.

 

 

Much Ado About Nothing é um dos mais bem sucedidos filmes de Shakespeare e, sem dúvida, um dos nossos filmes favoritos de todos os tempos.

 

 

3 - ANONYMOUS

 

Em 1989, o argumentista John Orloff (Band Of Brothers, A Mighty Heart) viu um documentário sobre o debate da verdadeira autoria de certos textos de Shakespeare. Inspirado, escreveu um primeiro rascunho deste filme no final da década seguinte, mas que nunca foi em frente: era A Paixão de Shakespeare que estava a dar que falar na altura. 15 anos depois, houve mais uma oportunidade de levar o filme avante, pela mão do realizador Roland Emmerich. Mais uma vez surgiram obstáculos, desta vez financeiros, e o projeto tornou a estagnar.

 

Mas Emmerich não desistiu: nos anos seguintes, ocupou-se com filmes mais comerciais, que gerassem lucro suficiente para lhe permitir construir o filme exatamente da maneira que tinha imaginado, com os atores que queria, sem a pressão de uma grande produtora para lá incluir dois americanos da moda.

 

 

E foi assim que, finalmente, em 2011, nasceu Anonymous: apesar de não ter sido totalmente aceite pela crítica, mostra-nos uma versão diferente da história de Shakespeare. As teorias convencem? Talvez não, mas nem pensamos nisso quando estamos focados no aspeto visual incrível, que nos mantém de olhos presos ao ecrã e, em especial, na performance de Rhys Ifans como Edward de Vere.

 

 

4 - SHE'S THE MAN

 

Shakespeare escreveu Twelfth Night, ou What You Will, nos primeiros anos de 1600. A comédia começa com um naufrágio que separa os irmãos gémeos Viola e Sebastian. A rapariga sobrevive com a ajuda do capitão, e é também através dele que, vestindo-se de rapaz, arranja maneira de trabalhar para o Duque Orsino, por quem se apaixona. Mas o Duque está enamorado da Condessa Olivia que, por sua vez, assim que vê Viola, fica perdida de amores pelo "rapaz". 

 

Foi nesta obra que o realizador as argumentistas Karen McCullah LutzKirsten Smith se inspiraram para escrever She's The Man, um chick flick da saga Amanda Bynes que, por muito que digamos que já não gostamos, revemos sempre que dá na televisão. A ela juntaram-se um jovem Channing Tatum (acabado de sair do clube de strip), Laura Ramsey e Vinnie Jones, e criaram uma hora e pouco de comédia romântica, piadas fraquinhas e a nova trend de usar um tampão para estancar hemorragias nasais.

 

 

Bons filmes são aqueles que geram tendências, certo?....Certo?

 

 

5 - ROMEU + JULIET

 

É, sem dúvida, a peça mais famosa de Shakespeare e, provavelmente, a mais adaptada - mas foi esta versão de Baz Luhrmann, que criou alvoroço. Depois do sucesso do seu Strictly Ballroom, o realizador quis pegar numa das obras mais conhecidas do poeta e fazê-la como Will a faria: nas suas palavras, um filme filme.

 

Não sabemos ao certo o que isso significa, mas a verdade é que a Fox deve ter percebido, porque lhe deu uns trocos e enviou-o para Sidney para fazer um workshop e filmar algumas cenas, só para ver no que dava. Leonardo DiCaprio queria tanto participar que concordou em pagar o seu próprio voo e hospedagem na cidade australiana. E assim que a produtora viu as imagens da cena da luta, voltou-se para Baz Luhrmann e disse: 'take my money'.

 

E ainda bem! O realizador misturou os diálogos da pela original com uma abordagem moderna, em que Capuletos e Montagues são mafiosos, e espadas são revólveres. O resultado? Um filme, para nós, inesquecível, não só pelo aspeto visual que faz lembrar uma má rave, mas também pelo baby Dicaprio e a baby Danes (quem a vê em Homeland nem a reconhece!), que conseguem tornar a tragédia mais famosa do mundo numa coisa...vá, fofinha. 

 

 

Drive In #13 - Eragon

Esperar pelo lançamento de livros é a cruz da vida de qualquer leitor que se preze. Sejam sagas ou não, a ansiedade que nos assoma por saber que mais um volume vem aí, misturada com a felicidade de podermos voltar a ler uma escrita ou uma história que adoramos é, no mínimo, agridoce.

 

Sofro muito disso, e houve alguns títulos que quase me fizeram arrancar os cabelos de tantos anos há espera. Mas pior que essa dor, é o temor de ver Hollywood intervir e adaptar certas obras ao grande ecrã. Raras são as vezes em que isso efetivamente corre bem (Hunger Games é um bom exemplo) e, nessas alturas, quase desejamos ter continuado mais uma década à espera do volume seguinte, do que ter perdido duas horas a ver o ato criminoso de partir em mil pedacinhos horríveis uma história de que tanto gostámos.

 

Por isso, esta semana o Drive In faz brilhar o holofote num filme que é, de modo geral, odiado por toda a gente: Eragon.

 

 

A trilogia - transformada em ciclo - da Herança, de Christopher Paolini, ainda é, estes anos todos depois, uma das mais queridas dos fãs da literatura fantástica. O americano começou a escrever sobre o mundo de Alagaësia aos 15 anos, e não demorou para que a história de um rapaz e do seu dragão azul safira corresse mundo.

 

A ideia de fazer um filme parecia boa, e tudo apontava para que se tornasse também um franchise - na altura, ainda o terceiro volume da saga não tinha sido publicado. Começou então a produção desta grande empreitada, que tinha orçamento de 100 milhões de dólares e nomes como Jeremy Irons, John Malkovich e Sienna Guillory no elenco. O papel principal ficou para Ed Speelers….pessoa de quem, até hoje, nunca mais ouvimos falar.

 

E é possível perceber porquê. A sua interpretação do protagonista Eragon foi tão forçada, sem jeito e, enfim, horrível q.b, que conseguiu ser suplantada pela de um dragão gerado por computador - e que, já que falamos nisso, é única coisa positiva deste filme. Os efeitos especiais que nos trazem o dragão Saphira são bastante bons, e todas as cenas onde a criatura entra parecem naturais. E vá, a interpretação de Malkovich também dá uma ajuda, sendo um raio de luz no nevoeiro que é este filme. Por outro lado, conseguimos ver na cara de Jeremy Irons que, realmente, há papéis que só se aceitam pelo dinheiro.

 

"F**a-se...*suspiro*...por que é que me meti nisto?"

 

Para além da mutilação total de uma boa história pela mão do argumentista Peter Buchman (que, obviamente, nunca leu um livro de fantasia na vida), a realização de Stefen Fangmeier também deixou (tudo) a desejar. Não deixa, contudo, de ser compreensível, dado que este foi o primeiro trabalho de Fangmeier como realizador - antes desta estreia, sempre foi supervisor de efeitos especiais (daí a qualidade de Saphira). Ambos foram, sem dúvida, escolhidos a dedo! Ou então foi tipo estágio IEFP, medida novas oportunidades. Melhor: tiraram os nomes deles de um chapéu! Sim, acho que foi mais isto.

 

Talvez a ideia fosse tentar copiar o sucesso de Peter Jackson e da saga Lord Of The Rings - mas, se foi isso, ficou infinitamente aquém. O desenvolvimento de personagens é nulo, e parece que todas as apostas neste filme foram feitas no sentido de colocar cena de ação atrás de cena de ação, para distrair o espetador da falta de sumo geral da coisa.

 

Acima de tudo, Eragon não faz qualquer justiça à obra onde é baseado. “End my suffering.”, diz o Rei Galbatorix (a personagem de John Malkovich) a Duzra (Robert Carlyle), logo no início do filme. E é esse o feeling geral de qualquer pessoa que veja este membro do Hall of Fame dos #LivrosQueDeramParaOTortoEmFilme: são 103 longos minutos de agonia e vergonha alheia, em que nada é remotamente parecido à obra original. E ainda nos fazem teaser de um volume 2 - que, felizmente, nunca chegou a acontecer.

 

 

Se retirarmos os efeitos especiais da equação, tenho quase a certeza que todos nós podíamos filmar uma melhor e mais fiel versão de Eragon, no quintal ou descampado mais próximo…

 

Com um Nokia 3310.

 

"That's the spirit - one part brave, three parts fool."

DeLorean

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50 sombras de sono

Eram 23h30, sensivelmente. Deitei-me no sofá, como tantas outras vezes, pensando que podia ver um filme antes de adormecer. Não sabia eu que pouco faltaria para tal acontecer.

 

Alguém mudou de canal. Estava a dar As Cinquenta Sombras de Grey. Ninguém mudou novamente, e por isso resignei-me: seria esse o filme da minha noite.

 

Ainda eles não se tinham beijado (ou será que beijaram e não vi?) quando alguém me abana. “Vai para a cama,” disseram. “Estás a dormir.”

 

Foram 20 minutos de filme. Desses 20, comecei a ver com 10 minutos de atraso. Foram 10 minutos de uma Anastasia bêbeda e de um Christian com a mania que é bom para o meu subconsciente achar que não merecia tanta ação... E quem sou eu para ir contra ele?

 

Tentei combater o sono. Afastei quem me acordou, convicta de que, pelo menos, conseguiria chegar à parte em que ele lhe mostrava o quarto vermelho. O facto de estar com os meus pais e de saber o teor da história não me demoveu; só mesmo aquela ação cheia de pokerfaces e falta de personalidades.

 

É impossível fazer uma crítica a um filme do qual vi apenas 10 minutos. É igualmente errado da minha parte dizer que é mau porque me fez adormecer, quando na verdade eu sei que foi o facto de me ter levantado cedo. Tudo isso é verdade, mas também o é a falta de encanto e vontade que aqueles 10 minutos de filme me proporcionaram.

 

Foram 10 minutos atrozes. Ela tentou fazer papel de bêbeda, ele manteve um semblante que só pode rivalizar com o de Kristen Stewart. Confesso que nunca li As Cinquenta Sombras de Grey na totalidade, e o que conheço vem da leitura de alguns trechos (nenhum deles com muita informação sobre as personagens, mais sobre as suas ações) e de muitas passagens na internet.

 

No entanto, mesmo com parcos conhecimentos, sei o suficiente para saber que não é a minha cena. Uma história sobre uma virgem que acha que descobre o amor quando encontra um homem que, basicamente, a obriga a fazer o que ele quer? A feminista em mim acha um pouco estranho que tal aconteça, sobretudo porque li todos os livros da saga Crepúsculo e sei muito bem que isso pode levar a bebés disfuncionais.

 

Estes 10 minutos de filme (eu gosto de dizer 20 só para parecer que aguento mais do que aquilo que realmente aguentei) não me inspiraram confiança. Mas gostava de lhe dar uma oportunidade, nem que seja porque agora sei que pode resultar dali uma boa noite de sono. Talvez seja a minha resposta para as insónias...

Trailer da semana – Doctor Strange

Era quase inevitável que, esta semana, o trailer da semana se debruçasse sobre um dos mais aguardados pelos fãs da Marvel e super-heróis: Doctor Strange. Mas não só: era também aguardado pelas Cumberbitches, as dedicadas fãs de Benedict Cumberbatch. E por mim, não vou mentir.

 

Mas custa-me dizer que as minhas expetativas em relação ao primeiro feiticeiro do universo Marvel podem ter sido... Bem, um pouco defraudadas.

 

 

Para os que não conhecem, Doctor Strange fala sobre Stephen Strange, um arrogante médico nova iorquino que fica gravemente ferido como resultado de um acidente. É aí que, enquanto tenta recuperar as suas habilidades, se volta para o mundo místico, e acaba por se tornar... Bem, veremos.

 

O primeiro trailer deixa-nos saber pouco sobre o herói ou feiticeiro que Strange se vai tornar, e concentra-se mais na sua origem. Bom ou mau, a verdade é que não é um trailer que me deixe a pensar que é um filme a não perder.

 

E isso é uma pena. Apesar de achar que o universo Marvel está a perder encanto (tudo o que envolve Vingadores já me começa a deixar um pouco enjoada), esperava com entusiasmo esta nova personagem, tão diferente das restantes.

 

 

E claro, porque sou daquelas que gosta de acreditar que Benedict Cumberbatch fica bem em qualquer papel. Até a dar voz a um dragão o homem é bom! Por isso, saber que ele ia para uma onda mais blockbuster fez-me ficar curiosa sobre a sua performance.

 

Só o tempo o dirá. Algures para o final do ano, haverá a possibilidade de tirarmos finalmente as nossas conclusões. E vamos rezar para que as primeiras impressões estejam apenas erradas...

 

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